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MENSAGEM AOS COMPANHEIROS NA ATIVA |
Ao ser transferido para a Reserva Remunerada, o militar jamais se afasta dos
acontecimentos da vida militar que, na verdade, sempre foram a sua própria
vida, desde ainda adolescente.
Isso ocorre, sempre, com a maioria dos militares por vocação. Poucos se
desligam totalmente da farda e encontram uma vida nova na área civil
desvinculada da anterior.
Já "sem farda", os militares têm a oportunidade de observar e
experimentar certas situações, no relacionamento com companheiros da Ativa, as
quais, por não serem fortuitas, mas sim fruto de circunstâncias equivocadas,
merecem ser discutidas em proveito de todos, principalmente daqueles que ainda
se encontram na Ativa, considerando que a
passagem para a Reserva é questão de tempo. Para muitos, pouco tempo.
O afastamento do Serviço Ativo ocasiona algumas perturbações emocionais na
vida do militar e de sua família, que podem ser assimiladas sem seqüelas,
conforme a disposição e o preparo psicológico de cada um. A solução
mais simples é reconhecer como inevitável e aceitar com humildade digna.
Procurar a solidariedade dos colegas que já se encontram na Reserva ou
Reformados é o melhor remédio.
Mas, assim como a morte também é inevitável e muita gente não aceita o fato,
a inatividade muitas vezes é encarada do mesmo modo, apesar do bom senso.
Quando isso ocorre, dois grandes choques sobrevêm ao espírito do militar
inconformado.
O primeiro é a uma sensação de perda. O militar viveu integrado a uma Corporação
e a Reserva parece-lhe uma amputação, na qual ele se sente o membro amputado,
a parte descartada. Quanto mais importante sua posição na Ativa, maior o
sentimento de mutilação. A ausência do uniforme machuca a alma. Mas o tempo
trabalha a favor e, aos poucos, todos se acostumam, de um jeito ou de outro, bem
ou mal.
O segundo choque é pior. É a sensação de rejeição. Está relacionado
diretamente com o primeiro, mas normalmente não depende do próprio indivíduo.
É causado pela postura de muitos dos companheiros que ficaram na Ativa.
Felizmente, nem todos.
De modo consciente ou não, a verdade é que os militares inativos, uns mais,
outros menos, perdem a deferência que possuíam antes no seio da Corporação,
embora seus direitos e deveres continuem os mesmos. É evidente que isso se
processa unilateralmente. E os efeitos são danosos.
Quando a ausência da farda impede o reconhecimento imediato do militar no âmbito
da Corporação ou mesmo fora dela, compreende-se. Entretanto, quando o
militar é reconhecido ou identificado e não recebe o tratamento a que faz jus,
configura-se que está sendo vítima de omissão, descaso ou humilhação,
situações todas indevidas, por direito e por dever. Mas que ocorrem amiúde!
Deve-se esclarecer que estas observações não visam a criar constrangimentos
ou expurgar recalques, absolutamente. Depois de algum tempo, acostuma-se, quer
se queira ou não. O objetivo mesmo é alertar os companheiros que fatalmente
passarão por este processo, a fim de minimizar seus efeitos adversos.
Em segunda instância, se não for pretender demais, obter a atenção dos
companheiros que ainda se encontram na Ativa, com vistas à mudança dessas
atitudes de desconsideração, descaso e algumas vezes até mesmo de
indisciplina, hoje comuns em diversas Unidades da Corporação, notadamente
naquelas que lidam diretamente com os
militares da Reserva, Reformados e Pensionistas.
Para aqueles que julgam haver exageros ou que não concordam com as observações
feitas, a constatação será simples e inevitável - eles serão as próximas vítimas
ou testemunhas. É questão de tempo. Pouco tempo.
Em vez de conferir, com certeza é melhor procurar reverter esse quadro
desagradável e, no futuro, receber sempre um tratamento condigno. É o desejo
sincero de todos aqueles que "deixaram a farda", mas ainda a tem
impregnada na pele e no coração.
Colaboração: Norberto de Castro Brum
Música de fundo: Tormento d´amore