Esquadrilha de tabaco
Após o Maj Carmona, o Quarto EMRA foi comandado pelo então Major Carvalho Neto.
Como ele tinha 7 filhos (portanto era experiente em esquadrilha) e já pegou o
Esquadrão numa fase mais consolidada, com Tenentes mais experientes, seu período
de comando não trouxe grandes emoções.
O próximo a nos comandar foi o então Maj. Asvolinsque. Uniu sua formação padrão
de piloto de caça ao fato de ter ocorrido (já em meio ao comando anterior) uma
diáspora, com vários integrantes do Esquadrão sendo transferidos para a
instrução na AFA, para outros Esquadrões de emprego ou para o curso de Oficiais
da Reserva recém implantado em Natal. O Quarto EMRA foi subdividido em uma parte
operacional e outra, que o então Cap. Baudry Accioly Lins (The Niger Cat)
apelidou de CAFA – Continuação da AFA, onde era dada a instrução de adaptação ao
T-6.
Ele manteve a fase boa que o Esquadrão atravessava, inclusive com a promessa (e
depois chegada) de novos equipamentos como os H-1H e os AT-26 Xavantes. Era o
princípio do fim do saudoso temeia.
O fato que passo a narrar ocorreu em meio ao seu comando. Fomos incumbidos de
levar para a Bolívia alguns temeias rejuvenescidos em Lagoa Santa. Eram T-6 do
modelo D, portanto com a crônica dificuldade de comunicação, contando apenas com
o tal rádio "comandinho" 5680. O C-47 que nos dava apoio de pouco valia, pois
não se conseguia falar com ele. Após a decolagem de Corumbá adentramos ares
internacionais. Santa Cruz de la Sierra seria o destino final.
Senti que a viagem prometia episódios burlescos e bizarros a nível "vernacular"
quando, ao tentar se comunicar com o controle daquela localidade o Maj
Asvolinsque, líder da formação, obteve a ajuda de um papatango local, que,
pensando que éramos da Esquadrilha da Fumaça, nos saudou com a seguinte
mensagem: "Adelante muchacho brasileño com su esquadrilha de tabaco"
Na entrega das aeronaves houve uma solenidade militar e, após sermos
condecorados com o brevê de Piloto Honoris Causa da Bolívia, ouvimos um discurso
no qual o locutor exaltou o pai da aviação... Os irmãos Wright... Nem uma
referência ao Santos Dumont... Se soubesse como isto dói em ouvidos
brasileiros.... Mas eu, particularmente, acho que foi a vingança dele por Lagoa
Santa ter pintado o leme de direção da cauda dos T-6 com as cores nacionais
bolivianas no sentido vertical, quando a Força Aérea Boliviana as usa na
horizontal (vermelho, amarelo e verde – de cima para baixo), diferentemente da
nossa FAB.
À tarde fomos numa aeronave deles até La Paz. Não arriscaram permitir que os T-6
fossem levados até sua capital. Foi a primeira vez que observei que, para
pousar, a gente tinha que subir e não descer. E entendi a razão dos temeias
terem ficado em Santa Cruz. E acho que para ir de uma cabeceira até a outra da
pista de La Paz tem que se fazer um plano de vôo.
No desembarque nos foi servido o tradicional chá de folha de coca, pois já tinha
Tenente aproando o lado contrário do pátio de estacionamento. Um eficaz modo de
neutralizar os efeitos da altitude.
À noite participamos de uma recepção de gala com a presença do presidente
Banzer, que, à época chefiava o estado boliviano.
Na manhã seguinte estava prevista uma visita a um dos picos da cordilheira dos
Andes. Sugeriram um café da manhã reforçado. Um dos Tenentes integrantes da
comitiva, cujo nome declinarei para não prejudicar sua reputação de troglodita,
digo, poliglota, levou a sério a recomendação. Pelas tantas chamou o garçom e
solicitou "una rárra de rurro de rarranrra con rêlo" (via teclado fica difícil
reproduzir os sons, porisso tentei aproximar-me ao máximo da realidade – Nem o
Guerraróirói conseguiria imitar.. a coisa soava como um pigarro crônico, um
grito desesperado dos frangalhos dos pulmões de um tabaquista inveterado!)...
Como o garçom continuasse olhando em estado apoplético, ele começou a fazer
gestos com a mão direita levantada e torcendo como a colher um fruto de alguma
simbólica árvore. Em seguida, ainda gesticulando, corta a tal fruta com uma
hipotética faca e, segurando-a com a destra sugere que está espremendo uma das
metades, em ritmados semi-movimentos dextrógiros, enquanto a mão esquerda segura
um suposto espremedor. Em seguida a destra simula que segura um copo enquanto a
sinistra despeja o conteúdo recolhido na parte inferior do aparelho e ato
contínuo coloca algo que era retirado de outro imaginário recipiente. O copo é
então "cenicamente" levado à boca diante de um cada vez mais estupefacto
atendente.
Depois de mais algumas tentativas o garçom finalmente entendeu que tratava-se de
uma prosaica jarra de jugo de naranja con hielo, que foi prontamente
providenciada.
A ida ao tal pico foi uma epopéia à parte. Uma estrada estreita, com penhascos
de um lado e morro íngreme do outro. A gente olhava pela janela do ônibus e não
via nada além de abismos sem fundo. Era uma subida pronunciada que o ônibus
vencia devagar.
Aparentemente foi o primeiro contato com a neve para a maioria de nós, pois as
brincadeiras não demonstravam outra coisa.
No regresso era descida..... Achei que era hora de improvisar uma reza ao
padroeiro dos fabricantes de freios. A estrada continuava a mesma, apenas
pareceu mais estreita e cheia de curvas do que na subida. Só que agora era
descida... Fiquei imaginando o que aconteceria se viesse outro carro subindo.
Quem daria marcha-a-ré, uma temeridade naquelas circunstâncias drásticas. Será
que tiram a sorte no palitinho ou desmontam um dos veículos e passam as peças
por cima do outro, remontando-o posteriormente? Pelo menos serviu para eu
deduzir a razão das llamas serem tão esguias.. É para poderem passar entre a
pirambeira e o veículo. Pura adaptação ao meio ambiente... Tal como as vacas de
Minas Gerais que desenvolveram de um lado duas pernas maiores que as do outro
para poderem pastar na encostas dos morros sem sair da horizontal....
A altitude e a emoção da aventura nos abriu o apetite... Em pleno almoço o nosso
Tenente poliglota chama o mesmo garçom do café da manhã, que já se aproximou
meio ressabiado....
Num portunhol castiço olha para o pobre rapaz e solicita "Un plato de árros"
(novamente a imperfeição sonora do teclado impede a reprodução exata dos
fonemas).... Este, com os olhos esbugalhados balbucia meio de longe, um pé
atrás, pronto para a fuga... "¿Tiene certeza señor?" Si si.. responde
assertivamente Little Ball, fazendo um gesto de um monte sobre seu prato. Deve
ter se seguido um rebuliço total na cozinha. Passados uns minutos o pobre garçom
reaparece trazendo um enorme prato de... alhos....
Ao nosso anônimo colega, que à época deste evento, não passaria num teste para
trabalhar no Mierdosur, transcrevo e dedico o pequeno chiste adiante, para que
vá treinando sua pronúncia caso apareça algum cargo na citada organização...
MIM TARZÁN USTED JANE
Debido a la inocencia de Tarzán, que había vivido solo durante tanto tiempo,
Jane le dió clases de sexualidad un dia, explicándoselo todo como un niño
pequeño para que así lo entendiera:
- Mira Tarzán, eso que tienes ahí colgando entre tus piernas es tu trapito y
esto que tengo yo aquí entre mis piernas es una lavadora... lo que tu debes
hacer es lavar tu trapito en la lavadora.
Las siguientes cinco noches Tarzán estuvo lavando su trapito sin parar y cuando
Jane logró respirar dijo:
- Escucha Tarzan, los lavados de trapito no pueden ser tantos ni tan seguidos
porque se te puede gastar; deberás esperar dos o tres días para lavar tu
trapito.
Al oir eso, Tarzán se quedó decepcionado y despues de estar un mes sin poner la
lavadora Jane le dijo a Tarzán:
- Tarzán, ¿qué te pasa? ¿Porque llevas un mes sin poner tu trapito en mi
lavadora?
A lo que Tarzán respondió:
¡¡¡ Tarzán haber aprendido a lavar a mano!!!
JAJAJAJA... (risada em portunhol).
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Santoro pedindo voto..., pois é sempre candidato..., Dias prestando atenção..., |