INAUGURAÇÃO

 

         A Escola Técnica de Aviação, embora tenha iniciado suas atividades em 22 de novembro de 1943, com apenas 4 alunos, a inauguração oficial ocorreu em 2 de maio de 1944, com a presença do senhor Presidente da República Getúlio Vargas. É o que nos conta o Cel. Lucena, em sua obra “Trajetória Especialista”, fruto de intensa pesquisa realizada, escrita nos anos em que serviu na Escola de Especialistas da Aeronáutica.

 

Aspecto da solenidade de inauguração da Escola Técnica de Aviação em 02 de março de 1944, vendo-se o ministro Salgado Filho discursando, ao centro, o governador de São Paulo Fernando Costa e o Presidente Getúlio Vargas.

 

Naquela ocasião, relata Lucena, o Ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho, proferiu seu discurso, do qual destacamos alguns trechos:

 

        “Senhor Presidente, à crítica poderá parecer estranho que inaugure Vossa Excelência este estabelecimento depois de estar em funcionamento, mas, na aeronáutica tudo tem que ser feito com antecipação. E, assim, enquanto em outros serviços se inaugura a obra por acabar, aqui muitas vezes procedemos diferentemente. É da própria arma; a aviação tem que andar avançada, e isso tem acontecido em nosso país. Ainda mesmo agora, em que seguindo as diretrizes de Vossa Excelência, antecipou-se a remessa de forças que fora do território nacional, seguiram a lutar ao lado dos nossos aliados, em bem da salvação do mundo.

 

        Esta escola é o maior empreendimento que poderia agora ser levado a efeito pelo progresso e fortalecimento da aviação nacional.

 

        Força Aérea que não tem mecânicos para assisti-la é aviação destinada a ficar em terra. Daí a relevância desta realização que, só com o descortino de Vossa Excelência seria possível concretizar-se agora no Brasil, porque realmente o que estamos fazendo nesta escola, graças à cooperação norte-americana, ao esforço do general Arnold em nos ceder o material, é extraordinário.

 

        Esse material vai a mais de quatro milhões de dólares – oitenta milhões de cruzeiros -, e o que presentemente vemos é , tão-só, o início do que está chegando em dois navios com 664 volumes, além de possantes aviões quadrimotores, que com os aparelhamentos nos trouxeram também os instrutores em número de 130.

 

        É uma escola que, tendo uma parte cultural mínima, objetiva dar uma instrução prática, para que os alunos daqui saídos possam exercer imediatamente, com eficiência, a sua profissão das mais necessárias, não só à Aeronáutica, como também à indústria nacional, porque, se é certo que nos primeiros anos não nos será permitido dispensar mecânicos aqui formados, porque as necessidades de nossa aviação estão a exigir número muito superior aos que preparamos anualmente, mais tarde haverá essa possibilidade.

        De início, formaremos 600 técnicos, mas já projetamos elevar esse número a mil, mesmo assim ficando aquém dos elementos de que estamos precisando.

 

        Ao lado da nossa escola regular em que a parte cultural é mais aprimorada, pois levam ali os mecânicos dois anos no curso, aqui em certas especialidades serão suficientes 28 semanas para o aperfeiçoamento (...). Aqui estão sendo adestrados alunos não só para a conservação do material, como também ao resguardo das criaturas, na utilização dos aparelhos hoje indispensáveis à aviação moderna de que se servem os pilotos e os contingentes de pára-quedistas (...).

 

         Devo dizer que eu tinha receio, pelas nossas suscetibilidades, em trazer estrangeiros para o ensino técnico em nosso país, mas verifiquei que era impossível obtermos técnicos entre nós para esse aparelhamento, o mais moderno da indústria americana; precisávamos também dos instrutores. Ao termos de dar instrução de rádio na Escola de Especialistas do Galeão, houve impossibilidade material dessa realização, por não existir um técnico em condições de ministrar essa especialidade. Foi preciso para isso, graças à dedicação e ao esforço dos nossos oficiais, retirar alguns deles da tropa para ensinar àqueles alunos. Aprimoram-se no estudo cultural, para preparar os técnicos de que precisávamos (...).

 

        Os técnicos americanos que aqui se encontram estão admirados com a inclinação para as especialidades demonstrada pelos nossos homens, assombrados com a sua dedicação, sua inteligência, sua curiosidade (...).”

 

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