VISITA DO GENERAL MARK CLARK

 

            Da obra, “Trajetória Especialista”, do Cel.Int.Aer. Berilo de Lucena Cavalcanti, destacamos:

 

        “Na formatura da 23ª Turma da E. T. Av. 21 Jul 45, esteve presente o General Mark Clark, que comandou, na 2ª Guerra Mundial, o V Exército Aliado, ao qual estava integrada a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Desse escalão expedicionário faziam parte, como unidades da FAB, o 1º Grupo de Aviação de Caça e a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação”.

 

O general Mark Clark, comandante do V Exército americano e o General Mascarenhas de Moraes, comandante da FEB, estudam os mapas de operações, na Itália.
 

 

        “Na solenidade militar, o grande cabo de guerra americano usou da palavra dizendo do prazer de se encontrar naquele instituto, onde técnicos estavam sendo graduados, congratulando-se com os funcionários e instrutores norte-americanos e brasileiros que trabalhavam em conjunto para chegar a tal resultado.

 

        E prosseguiu: “É o mesmo quadro que trabalhou em cerrada colaboração na Europa e obrigou as tropas alemãs a conhecerem o amargor da derrota. A admiração e respeito mútuos desenvolvidos através da luta no solo e no ar, amassados em suor e sangue, devem continuar para sempre e perpetuar os laços de amizade entre os dois países.

 

        Ouvi falar muito de vossa cidade antes de vir a São Paulo. Quando a FEB chegou para servir na Itália, quis saber de onde vinham aqueles soldados cheios de pletora e entusiasmo que costumavam dirigir “jeeps” e caminhões de duas toneladas a oitenta quilômetros por hora. Alguém sugeriu que andassem mais devagar, mas responderam-lhe que era impossível, pois esses rapazes vinham de São Paulo, a cidade de movimento mais rápido do mundo. E eu não queria retardá-los por nada deste mundo, porque eles deram uma enorme contribuição à paz que estabelecemos na Europa. Tenho a dizer-vos que vos deveis orgulhar da vossa Força Expedicionária. Que Deus vos proteja”!

 

        Continua, o Cel. Lucena, a narrar, durante o almoço realizado no Salão das Bandeiras da E. T. Av., a saudação de agradecimento do General Mark Clark, da qual destacamos alguns trechos:

 

        “...Desde os dias sombrios de 1942 o Brasil marchou ombro a ombro com os Estados Unidos nesta guerra. O Brasil resolveu traduzir os seus pensamentos em ação, não se contendo com palavras.

 

        Primeiramente cedeu suas bases, as quais possibilitaram às forças aéreas e a armada limpar os mares que contornam esta grande nação. E foram essas mesmas bases que nos ajudaram a prosseguir na guerra no norte da África.

 

        Não ficou aí, porém, a contribuição do Brasil que nos enviou valentes tropas do ar e de terra para os combates da Itália, todas elas animadas pelo desejo de desembaraçar o mundo dos cães raivosos que queriam destruir a nossa maneira de viver e a nossa democracia.

 

        A presença do Brasil nos campos da Europa mostrou aos alemães que o Brasil não tinha reivindicações territoriais. A única terra européia que os heróicos filhos deste país reivindicaram para si, foi apenas a suficiente para enterrar os seus gloriosos mortos.

 

        Lembrar-me-ei, sempre, daquele dia em que tive o privilégio de passar em revista o 6º Regimento de Infantaria composto em grande parte de elementos desta região paulista. Era o dia de Caxias, dia 25 de agosto de 1944. Lembro-me quão emocionado fiquei com o aspecto geral dos soldados, todos de olhar enérgico e decidido. E a minha emoção foi maior quando deles ouvi “Deus Salve a América”.

 

 

O general Mark Clark, comandante dos aliados na Itália, passa em revista as tropas brasileiras. (foto do Arquivo Nacional)

 

 

         Como comandante estrangeiro, tenho certeza que compreendeis os meus sentimentos, quando me foi confiada a Força Expedicionária Brasileira. Havia duas maneiras de empregar a F.E.B.: reserva-la para uma ocasião mais fácil, para uma vitória certa, ou empregá-la em duras tarefas. E como havia falta de tropas, resolvi adotar esta última alternativa. E vossas tropas, nos mais duros momentos, não se queixaram. Tiveram suas perdas, passaram um rígido inverno num terreno montanhoso, num frio tão intenso que a maioria delas jamais havia visto igual. Mas continuaram. Prosseguiram com um denodo invulgar. Depois...como era lógico, estiveram o ano todo nas linhas de frente, procurando alemães onde quer que estivessem. Mais tarde, deslocamos a Força Expedicionária Brasileira para o setor central ao sul de Bologna, onde tive o prazer de visitá-la em Porreta Terme, assim como o general Mascarenhas de Morais.

 

        ... Tínhamos exatamente 1.400 soldados a mais que os alemães. Uma superioridade muito pequena para atacar em um terreno montanhoso e de obstáculos quase insuperáveis.

 

        ... Os vossos “pracinhas” atiraram-se com denodo contra um inimigo bem organizado e preparado, esculpindo no simbólico granito da vitória novas e belíssimas páginas. Ao general Mascarenhas de Morais, a 148º divisão alemã, que durante tantos meses se tinha oposto às nossas forças nas montanhas, rendeu-se. Milhares de homens, centenas de veículos e grande quantidade de material bélico foram capturados.

 

        Como já vos disse, hoje, pela manhã, na cerimônia de graduação, a campanha na Europa se desenvolveu numa mútua camaradagem entre os combatentes brasileiros e norte-americanos. E foi com essa camaradagem que ganhamos a guerra, e será com ela que haveremos de manter a paz obtida à custa de tantos sacrifícios.

 

        Como tive ensejo de vos dizer durante a vossa graduação, a admiração mútua que alimentamos nos campos de batalha, entre os combatentes, homens do Brasil e homens dos Estados Unidos, deve continuar durante os anos vindouros, porque da mesma forma por que ganhamos a guerra, ainda temos que ganhar a paz.

 

        Tendes ótimas razões para vos orgulhardes da vossa Força Expedicionária Brasileira”.

       

        Ao final apresentou sua comitiva composta pelo general Gareche Ord, colaborador na criação da E.T.Av.; general Donald Brann, chefe da 3ª divisão do 5º Exército; Ten.Cel. Crittenberg, da 10ª Divisão, que lutou na França; e de sua esposa, segundo o general Mark Clark o perseguiu até o Brasil.

 

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