MUDANÇAS NA E.T.Av.

 

         A Escola Técnica de Aviação, em decorrência do seu crescimento, em 1945, ocupava vários prédios vizinhos, alugados pelo Ministério da Aeronáutica. Era necessário pensar em construir novas instalações, procurar uma área que pudesse viabilizar tal medida, mas os custos eram muito elevados.

 

        O Prefeito de Campinas, Dr. Joaquim de Castro Tibiriçá, chegou a oferecer uma área de 60 alqueires, mas o negócio não chegou a ser concretizado. Os custos para construir a nova Escola orçavam em Cr$ 250.000.000,00 (duzentos e cinqüenta milhões de cruzeiros).

 

        Pensou-se no Hipódromo da Mooca, no entanto, a Prefeitura de São Paulo tinha um projeto de construir um parque para os moradores daquela região.

 

        O assunto preocupava o senhor Ministro Trompowsky, que se manifestou a respeito em uma reunião, ocorrida em 2 de janeiro de 1947, quando os oficiais foram cumprimentá-lo pelo Ano Novo:

 

        “Aguardo o pronunciamento do Chefe do Estado-Maior para então, com maior soma de elementos, decidir a questão em audiência com o Chefe do Governo. Deixo aqui consignada a vantagem para o País de colaborarmos no progresso de regiões menos favorecidas pela natureza. O sentido de tecnicidade, se fixado em locais de mais lenta evolução, poderá trazer grandes benefícios para a Nação.

 

        É evidente que nessa época, quando todos desejamos comprimir as nossas despesas de modo a combater a inflação e as conseqüências do após guerra, a solução do problema das instalações definitivas da E.T.Av. ou, se decidido, da Escola resultante da fusão das duas, E.E.Aer. e E.T.Av., ficará quase resolvida se for realizada em um local que já disponha de instalações prontas para receber o pessoal e o equipamento”.

 

        Germinava a idéia de transferir a Escola para Natal.

 

        Em 31 de março de 1947, o Ministro da Aeronáutica concedeu entrevista ao Papel Pega Mosca, da qual destacamos os trechos:

 

        ...“Na base de Parnamirim em Natal, existem cerca de 600 edificações com, praticamente, todas as facilidades necessárias à instalação da Escola Técnica, conforme demonstrou o relatório apresentado pela comissão que designei fosse estudar o assunto no próprio local e como também tive oportunidade de verificar pessoalmente”.

 

        ...Acresce ainda, - continuou o Senhor Ministro – que a reabertura de determinadas necessidades nacionais paralisadas durante a guerra, vem determinando providências do governo no sentido de desocupar e entregar os próprios nacionais ou estaduais às suas legítima finalidades”.

 

        Um fato curioso veio modificar o rumo dos estudos em andamento e ajudar na solução do problema.

 

        O Prefeito de Guaratinguetá, Dr. André Broca Filho participava, em Buenos Aires, em 1949, de uma reunião sobre o desenvolvimento da Bacia do Rio da Prata e, por acaso, ouviu a conversa do Prefeito de Natal, Dr. Silvio Pedrosa, com um Senador do Rio Grande do Norte, sobre a necessidade de conseguirem a transferência das duas Escolas para Natal.

       

        No dia seguinte, bem cedo, abandonando a reunião, decolou para São Paulo, e tão logo chegou, dirigiu-se ao Palácio do Governo e relatou ao Governador Adhemar de Barros sua intenção de localizar em Guaratinguetá as duas Escolas, na área ocupada pela Escola Prática de Agricultura. Aceita a sugestão, o Dr. Broca agenda audiência com o Diretor de Ensino, Brigadeiro Antonio Guedez Muniz, que ao reconhecer a vantagem desse oferecimento, o conduziu ao senhor Ministro, o qual concordou com a providencial proposta.

 

        Assim, a Lei Estadual nº 696, de 5 de março de 1950, autorizou o Poder Executivo Paulista a doar à União as terras e as instalações daquela Escola.

 

        Antes de se mudar para Guaratinguetá, a E.T.Av. abrigou a  E.E.Aer. por curto período, pois com a construção da ponte do Galeão pelo Ministério da Aeronáutica, inaugurada em janeiro de 1949, foi preciso ceder espaço para a ampliação do Aeroporto do Galeão.

 

        Em 20 de junho de 1950, a E.T.Av. forma a 94ª Turma, composta de 8 Sargentos Especialistas e 3 Sargentos Monitor Técnico. A E.E.Aer., por sua vez, forma a 21ª Turma com 92 Sargentos em cinco especialidades.

 

        A Escola Técnica de Aviação publicou seu último Boletim em 31 de julho de 1950, e a Escola de Especialistas publica seu Boletim nº 1, em 7 de agosto do mesmo ano, registrando:

 

        “O Coronel Bento Ribeiro assumiu o Comando da Escola de Especialistas da Aeronáutica, estacionada provisoriamente em São Paulo e que irá paulatinamente em escalões para Guaratinguetá, à proporção que as instalações em construção naquela cidade fiquem prontas.

        Determinação de transferência de todo o acervo (pessoal e material) da E.T.Av. para a Escola de Especialistas em cumprimento ao constante na letra “c” do Ofício nº 0721 anteriormente transcrito).

 

        Tal documento, datado de 28 de março de 1950, tratava da transferência de E.T.Av., da E.E.Aer. e do C.O.M. (Curso de Oficial Mecânico), estabelecendo o plano de trabalho. O item “c” determinava:

 

        “passagem de todo o acervo (material e pessoal) da Escola Técnica para a Escola de Especialistas, devendo as transferências de carga e de pessoal, dessa Escola para a Escola Técnica de Natal, ser propostas por intermédio da Diretoria do Ensino, pelo novo Comandante da Escola de Especialistas”.

 

        A transferência para Natal mudava de rumo.

 

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