AFEGANISTÃO, IRAQUE E RESISTÊNCIA PATRIÓTICA

Quando os Estados Unidos decidiram ocupar o Afeganistão - em represália aos atos perpetrados por terroristas talibãs do grupo Al-Qaeda, nas cidades de Nova York e Washington, em 11 de setembro de 2001 -, alguns generais russos, com vasta experiência na ocupação desse país, advertiram os norte-americanos para os perigos de uma empreitada dessa magnitude. A ex-União Soviética chegou a colocar ali um contingente militar de aproximadamente cem mil soldados. Em fevereiro de 1989, ao cabo de dez anos de ocupação, retiraram-se do território afegão sem conseguir atingir os objetivos colimados.

O general Boris Gromov seguidamente advertiu que, por experiência própria, podia prognosticar que o desembarque de tropas terrestres no Afeganistão não traria bons resultados para a tropa ocupante e, certamente, ocorreriam significativas baixas que não poderiam ser evitadas, pois é muito complicado lutar nas montanhas afegãs, haja vista que o Exército dos EUA não está preparado para uma tarefa desse jaez, ademais da imensa dificuldade para controlar as vias de comunicação e transporte do país.

Também o general soviético Makhmud Gureyev, assim se expressou: "temo que os estadunidenses repetirão os nossos erros. É impossível conquistar o Afeganistão por via militar. Não conseguiram Alexandre Magno, nem o Exército britânico, nem nossas tropas em dez anos de guerra".

Mais recentemente, o célebre general Alexander Lebed, assegurou que todos os arsenais de bombas da Rússia e dos EUA são insuficientes para acabar com os contingentes afegãos entrincheirados nas montanhas.

Apesar de tudo, o Afeganistão foi ocupado e assim permanece. Porém, o fenômeno da resistência está agora expressando-se no Iraque, ocupado militarmente com inexpressivo sacrifício de vidas humanas entre os soldados da coalizão durante a fase de invasão, porém com maior número de vítimas no período de ocupação. Com estupefação tomamos conhecimento, através da imprensa internacional, que membros da resistência iraquiana matam - quase que diariamente - de um a dois soldados (britânicos e/ou norte-americanos).

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os exércitos alemães realizaram uma marcha fulgurante e avassaladora conquistando vários países europeus, sendo que, em alguns casos, em poucos dias. Refeitos da surpresa, cidadãos dos países conquistados organizaram o que foi denominado de Resistência para combater os soldados ocupantes estrangeiros. 

Com maior ênfase, distinguiram-se os patriotas franceses que tornaram a vida dos conquistadores nazistas um verdadeiro inferno. Os alemães possuíam um corpo especializado de torturadores identificados pela sigla de Gestapo, que não tinham limites para eliminar a resistência nos países ocupados. Os dirigentes nazistas chegaram a advertir que, por cada soldado alemão que fosse morto pela Resistência, seriam fuzilados, em represália, dez cidadãos franceses escolhidos aleatoriamente. Porém, nem sequer a utilização dessas cruentas práticas terroristas detiveram a ação patriótica da Resistência Francesa.

Quando as forças militares alemãs invadiram a União Soviética, para conquistar uma importante cidade, tiveram de lutar de casa em casa e de cômodo em cômodo. Se um ser humano está orientado por idéias - pátria e liberdade - não conhece o medo e não lhe importa a morte. Que significam, aos olhos do mundo, os atuais palestinos vestidos com carga explosiva que, numa tresloucada aventura, imolam-se despedaçados, mas, também, conduzem à morte dezenas de pessoas consideradas por eles inimigos de sua pátria?


Estados Unidos e Grã-Bretanha - que, com exacerbada arrogância, desprestigiaram e subestimaram a Organização das Nações Unidas -, hoje sentem na pele o preço dessa impensada e malfadada aventura e buscam, de forma açodada, que a Organização passe a cuidar do controle do Iraque, enquanto os chefes dos dois governos procuram, desesperadamente, encontrar argumentos de que no Iraque havia armas de destruição em massa, como forma de justificar ao mundo a agressão militar perpetrada contra àquele país.
 

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