Skype, serviço de telefonia via Internet

É o potencial de economia que provavelmente irá atrair sua atenção ao Skype, o software de telefonia na Internet cujos criadores estão dispostos a desbancar o velho sistema de telefonia.

Certamente, não há como questionar a redução de custos que ele proporciona. O programa é de graça e foi criado pelos mesmos programadores anti-instituições que assinam o programa de troca de música Kazaa. Comparado com o que quer que você esteja pagando em suas tarifas de telefonia, um serviço de custo zero é uma proposta realmente imbatível.

A questão, no entanto, é saber se o Skype consegue compensar algumas das frustrações que tive ao usá-lo. No fim das contas - ele ainda está em fase beta - ele consegue, sim. Num dia bom, com uma conexão de banda larga sem problemas, a qualidade de som do Skype é impressionante, especialmente se levarmos em conta que a comunicação é toda descentralizada. Ela se aproxima (e às vezes até ultrapassa) a qualidade das linhas terrestres tradicionais ou telefones celulares.

O Skype também é bem fácil de configurar. Armado com um PC conectado à Internet que rode o Windows 2000 ou XP, você estará discando (ou "skypando", no jargão dos aficcionados), em cinco minutos depois do final do download. O software também pode ser usado no Windows 95 ou 98, embora a compatibilidade não seja tão certa. Não há versões para Linux ou Mac.

Os usuários dão entrada com uma senha e detalhes de contato na amigável lista telefônica do Skype, que pode ser ordenada por país de origem, nome de usuário ou 12 outras categorias. Com a ferramenta de busca, não é difícil localizar e telefonar para amigos, parentes e colegas de trabalho.

Só é possível falar com pessoas que também utilizam o programa. Contudo, se você conseguir uma boa linha, o Skype funciona como um sonho. Saber que você não estará pagando quase nada mesmo que bata papo o dia inteiro com amigos do outro lado do mundo só torna tudo ainda mais empolgante. Mas a diversão pode ser bem menor em alguns outros momentos.

As conexões mais lentas ou intermitentes fazem com que o som se deteriore completamente. Uma conexão de baixa qualidade pode provocar atrasos de vários segundos no envio e recebimento das falas - o que faz com que você tenha a impressão de estar conversando com alguém na superfície da Lua. Assim, a menos que você disponha de um serviço de Internet rápida, não se dê ao trabalho. Mesmo com conexões melhores, a qualidade da voz fica, às vezes, inconstante, com o volume subindo e descendo ou com o som assumindo um aspecto metálico.

Além disso, o Skype está sujeito àquela variável tão comumente associada às misérias gerais da vida: outros seres humanos. Um fone de ouvido não plugado ou ligado da forma incorreta por um usuário que tem dificuldades em lidar com seu equipamento pode frustrar as tentativas de conversar com alguém, mesmo que o programa garanta que você tenha conseguido estabelecer contato com essa pessoa. Para conversar com alguém pelo Skype, também é preciso que seu interlocutor esteja no computador na hora certa - caso contrário, você estará de volta ao telefone comum, ligando para pedir que se conecte. Isso, obviamente, elimina a vantagem original de se ter o Skype.

Já que só pode falar com outros usuários do Skype, qualquer pessoa que estiver determinada a usá-lo para pedir uma pizza estará fadada a passar fome. Se a casa pegar fogo, o programa também não é, definitivamente, a maneira certa de chamar os bombeiros.

Semelhantemente ao Kazaa, o Skype troca pacotes de dados entre um computador pessoal e outro, sem passar por um servidor central. Segundo seus criadores, ele encaminha as informações através das redes mais rápidas disponíveis para que a qualidade não se degrade. O Skype funciona através da maioria das firewalls - os softwares usados pelas empresas para monitorar tráfego para dentro e fora de seus computadores. E a privacidade é garantida pela encriptação.

Não percebi qualquer sinal de spyware. Diferente do Kazaa, que possui vários aplicativos ocultos desse tipo, o Skype diz ser livre de softwares espiões e recursos de publicidade online.

Vários outros serviços usam a Internet para transmitir ligações telefônicas com baixo ou nenhum custo. Um deles, o Free World Dialup, promete conectar seus 75 mil usuários não apenas entre si, mas também com os usuários de certos serviços concorrentes. Ele requer um hardware especial ou um programa do tipo SIP Phone, que transforma conversas telefônicas em pacotes de dados e vice-versa.

O Skype, enquanto isso, é um universo em dramática expansão, com 3 milhões de pessoas que baixaram o programa nos primeiros três meses desde o seu lançamento. Nesse ritmo, ele não deve demorar muito para alcançar a popularidade do Kazaa, que - para o horror das gravadoras - possui 300 milhões de usuários. De acordo com o site oficial, o Skype possui uma comunidade crescente de usuários em praticamente todos os países, do Afeganistão ao Peru, da Suazilândia à China.

É fácil imaginar como estudantes com recursos limitados e que moram longe de casa ou empresas que dependem do telefone para interligar suas filiais em vários pontos do mundo poderão aproveitar as vantagens desse serviço, apesar de suas fraquezas. Outros, muito prontamente, poderão vê-lo com mais ceticismo. De qualquer forma, mesmo que os executivos das empresas de telefonia tradicional não estejam, ainda, perdendo o sono por causa dele, isso pode começar a acontecer muito em breve.

Os criadores do Skype já anunciaram que pretendem aparar as arestas e oferecer novos recursos, como a possibilidade de usá-lo para fazer ligações para telefones fixos e celulares. O Skype pode mesmo cumprir suas promessas revolucionárias.

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