DA VELHA À NOVA GLOBALIZAÇÃO

O fenômeno da globalização econômica não é novo no mundo. De fato, poder-se-ia dizer que este remonta há cinco séculos. Desde que a Europa lançou-se à conquista das rotas de aprovisionamento da Ásia e África, as quais levaram o grande navegador português Vasco da Gama a dobrar o Cabo da Boa Esperança e o genovês Cristóvão Colombo a descobrir acidentalmente a América, já existia uma vocação globalizadora. 

 

Os espanhóis e portugueses, pioneiros deste processo, viram-se prontamente alcançados e ultrapassados pelos holandeses, ingleses e franceses. As Companhias das Indias, destes três últimos países, transportavam as matérias-primas que vieram a dar sustento à maquinaria do capitalismo. Com o objetivo de dinamizar o intercâmbio de mercadorias e o comércio de capitais, criou-se, em 1694, a Bolsa de Londres, transformando essa cidade na capital das finanças mundiais. Com a chegada do Século XIX, a circulação de capitais e mercadorias de um lado a outro do planeta alcança um desenvolvimento exponencial. Ao amparo da revolução da produção, dos transportes e das comunicações, se fabricará e se comerciará tendo em mente uma escala planetária.

Na Europa, a França e a Alemanha disputam a hegemonia com a Grã-Bretanha, enquanto que os Estados Unidos, o Japão e a Rússia fazem sua aparição como potências econômicas emergentes. A própria competição econômica será uma das razões que acenderá o estopim da I Guerra Mundial, em 1914. A partir desse momento tudo se modificará. O cenário econômico mundial evidenciará uma acentuada fragmentação que haveria de prolongar-se até o final da II Guerra Mundial, projetando os seus efeitos até o final da década de sessenta.

A denominada revolução Reagan-Tatcher inicia um processo de desregulamentações, que irá complementar-se com o desaparecimento da Guerra Fria e a aceleração inusitada da tecnologia. Desta maneira, o mundo volta a integrar-se em escala planetária, reencontrando uma velha vocação que entrou em crise a partir de 1914.

Não obstante, o mundo globalizado de hoje não é o mesmo que conheceu o renomado economista Adam Smith. Nos dias atuais os países não praticam o escambo, trocando, por exemplo, lã por vinho, mas imbricam-se em redes produtoras planetárias, dentro das quais, um mesmo produto final leva incorporado componentes elaborados nas mais diversas latitudes. Atualmente, é difícil falar, por exemplo, da nacionalidade de um veículo, quando suas diversificadas peças são fabricadas em dezenas de países. Hoje, a informação transmite-se à velocidade da luz. Textos, imagens e sons são transmitidos de forma instantânea. Autopistas virtuais integram computadores miniaturizados, em escala mundial. Verifica-se, ainda, que os fretes e transportes diminuiram, radicalmente, os seus custos. O resultado de tudo isso é uma economia mundial homogeneizada e unificada em seus mínimos detalhes.

Na economia globalizada dos dias atuais, apresentam-se dois fenômenos bastante freqüentes que os contemporâneos de Adam Smith jamais poderiam imaginar: a possibilidade de crises súbitas e devastadoras em algum país ou determinada região, e a amplificação destas a nível planetário, por via de um inexorável “efeito dominó”.

 Estes cataclismos de epicentro localizado soem irradiar suas ondas expansivas, com relativa freqüência, aos quatro cantos do planeta, em virtude da interpenetração da economia, a nível mundial. Não é em vão que o megainvestidor George Soros pronunciou uma frase lapidar capaz de eriçar os pelos do mais frio analista: “Se pessoas como eu podem fazer cair governos, é porque existe algo dentro do sistema global que não funciona bem”.
.
Esta tem sido, lamentavelmente, a lógica da globalização, neste momento histórico que a humanidade atravessa.

<< índice - página 13 - página 14 >>