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EUA x RADICALISMO ISLÂMICO: CENÁRIO PROSPECTIVO
Para compreender a natureza da crise internacional que assola a humanidade, é necessário ter em conta os seguintes elementos que caracterizam a atual dinâmica mundial:
Em primeiro lugar, a guerra contra o terrorismo, declarada, enfaticamente, pelos Estados Unidos, apresenta um caráter seletivo. Em princípio, expressões deste fenômeno, a nível mundial, tais como : ETA, IRA, FARC, ELN, parecem estar excluídos, no momento, do âmbito de resposta e retaliação das forças militares norte-americanas. Também o Hamas ou o Hezbollah encontram-se fora desta “lista dos malditos”, em função da conotação que possuem, ou seja, de movimentos de liberação nacional, que o conjunto do mundo muçulmano outorga aos mesmos. O foco da atenção estadunidense, desta forma, centra-se no terrorismo desenvolvido pelo radicalismo islâmico. Ou seja, aquele que busca fazer do Islã uma ideologia militante revolucionária e que insiste em aplicar, em pleno século XXI, a letra e o espírito de uma lei religiosa redigida no século VII.
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Em segundo lugar, o islamismo radical dirige-se contra três conjuntos de inimigos: os valores ocidentais - particularmente ao fenômeno da globalização - dos quais os EUA constituem o maior símbolo; os regimes muçulmanos moderados e pró-ocidentais e, finalmente, Israel.
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Ao atacar os Estados Unidos não somente buscou-se abalar a segurança do colosso, gerando um clima de intranqüilidade, subjugando a sua prepotência, além de açular uma imediata reação da superpotência, susceptível de desatar, como corolário, a ira de todo o mundo islâmico. Através deste último, buscar-se-á propiciar a queda dos regimes muçulmanos mais vulneráveis. Aqui sobressaem o Paquistão e a Arábia Saudita, o que colocaria nas mãos do islamismo radical não somente a bomba atômica mas, também, a variável de maior importância na equação que rege a produção petrolífera mundial. Paralelamente a estas ações pode-se vislumbrar que Israel também será um alvo permanente dessas tresloucadas investidas.
Em terceiro lugar, a reação estadunidense, até o presente momento, tem se apresentado muito mais moderada do que era válido supor, tomando em conta a política externa e os antecedentes do governo de George W. Bush. Efetivamente, até o dia 11 de setembro do ano em curso, a política externa norte-americana esteve em mãos dos setores ultraconservadores da administração federal. Uma e outra vez, a voz moderada do Secretário de Estado foi abafada pelos “falcões” do governo. Indubitavelmente, se após o episódio do ataque combinado às cidades de Nova York e Washington, a opinião dos radicais houvesse prevalecido, poder-se-iam criar, justamente, as condições que buscava o islamismo radical. Afortunadamente, impôs-se o critério e o bom senso do General Collin Powell e com ele a tese de Robert Kaplan, segundo a qual os militares norte-americanos sempre demonstraram ser mais moderados que os civis, em relação ao uso da panóplia militar.
Em quarto lugar, é evidente que o islamismo radical não alcançou o seu objetivo, tentando levantar todo o mundo muçulmano. Até a presente data, as reações de rua puderam ser facilmente controladas pelas forças da ordem pública, em todos os rincões do mundo islâmico. Isto, apesar do carisma de Osama Bin Laden, assinalado por muitos como o herdeiro de Nasser no que concerne ao seu potencial para captar e catalisar a atenção do mundo muçulmano. Entretanto, a situação encontra-se em uma fase de extrema fluidez. Existem muitos fatores que podem conduzir a tensão das massas a um ponto de ebulição, impactando, severamente, as bases de sustentação dos regimes pró-ocidentais da região. Entre eles caberia citar alguns: uma radicalização ou ampliação da ação militar dos ataques norte-americanos, além do território afegão, derivado de mudança na política governamental estadunidense ou motivado por novas ações terroristas ; uma catástrofe humanitária no Afeganistão com a chegada do inverno, o que, certamente, mobilizaria a opinião pública internacional contra os Estados Unidos; algum movimento inesperado por parte do líder radical israelense Ariel Sharon ou do imprevisível Saddam Hussein, presidente do Iraque ; um aumento significativo em perda de vidas humanas, entre a população civil do Afeganistão exibidas ao mundo muçulmano, através de imagens das redes internacionais de televisão, o que desencadearia a ira e reações imprevisíveis por parte dos radicais islâmicos.
O tempo se encarregará de mostrar – em futuro próximo -, se este cenário prospectivo aproximou-se da realidade. Por ora, são meras conjecturas e, oxalá, contrariando as expectativas, o mundo caminhe para dias melhores e encontre a tão almejada paz, para o desfrute das nações em conflito e, conseqüentemente, para o bem de toda a humanidade.
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