PREFÁCIO
Há muitos anos acompanho a dedicação do Coronel Cambeses para com os assuntos
de interesse nacional, sempre se destacando sua cultura e apurada percepção
dos aspectos estratégicos inseridos nas questões e nos eventos que têm
marcado a evolução histórica da humanidade e, em especial, do nosso país.
O cenário internacional que se descortinou a partir do final do Século XX,
particularmente após a derrocada do império soviético, tornou mais evidente
as intenções de dominação dos Estados Unidos, alçado à situação de
nação hegemônica, com seu poderio econômico e militar associado a interesses
inescrupulosos de Organizações e lideranças influentes que vicejam,
principalmente, no contexto das nações industrialmente desenvolvidas. Não
bastassem os malefícios de uma histórica imposição geopolítica regional,
cerceando um desenvolvimento harmônico na América Latina, interesses
econômicos alienígenas, sob o signo diabólico do neoliberalismo, buscam
argumentos para eliminar o pouco que resta do conceito de soberania nos países
periféricos, apregoando para os Estados já enfraquecidos, como o Brasil, o fim
das fronteiras geográficas, a ideologia do Estado mínimo e a submissão
passiva aos interesses do mercado.
Ao lançar o Volume 2 do seu trabalho “Temas Estratégicos: Reflexões de um
“Velha Águia””, o ilustrado autor aborda, com maestria, questões e
ações que têm demarcado uma clara fronteira entre o frágil equilíbrio
decorrente da implosão do império soviético e o declarado unilateralismo dos
Estados Unidos da América, com sua agressiva política de ações preventivas,
“com manifesta subvalorização das alianças e dos tratados internacionais”
e o conseqüente enfraquecimento da Organização das Nações Unidas – ONU.
Uma análise, mesmo perfunctória, dos atualíssimos artigos e das reflexões do
autor, nos conduz à conscientização da gravidade do momento, com o
acirramento das tensões internacionais, em especial, após a agressão contra o
Iraque, mostrando a necessidade de reposicionamento dos países centrais na
busca de uma melhor repartição do poder, bem como, assegurar a própria
continuidade da ONU como fórum soberano no concerto das Nações.
Para os estudiosos dos temas de interesse da Questão Nacional, o presente
trabalho possibilita uma formulação realista das possibilidades e alternativas
para a Nação brasileira frente a esse turbulento e catastrófico cenário.
Ten.-Brig.-do-Ar Sérgio Xavier Ferolla
Ministro do STM
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MANUEL
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