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PRESENÇA MILITAR DOS EUA NO MUNDO
No meio do Oceano Índico, na ilha britânica de Diego Garcia,
localiza-se uma das mais importantes bases militares norte-americanas do mundo.
É aí que hibernam, à espera de serem convocados, os bombardeiros
estratégicos B-52.
Não há ponto do mundo onde os Estados Unidos não possam pôr suas tropas num
estalar de dedos. É o poderoso império estadunidense, espraiado por vários
países, de inúmeras maneiras: bases militares, estações de rastreio,
facilidades de infra-estrutura, pistas de aterrissagem e hangaragem de aviões.
O dispositivo mostrou a sua força no Afeganistão e, mais recentemente, no
Iraque, e está tentando mostrá-la a qualquer dos Estados apontados pelo
presidente George W. Bush como pertencentes ao “eixo do mal”, como, por
exemplo, a Coréia do Norte. A hipótese de uma nova guerra na península
coreana foi recentemente admitida pelo enviado especial da Organização das
Nações Unidas (ONU) a Pyongyang, Maurice Strong. No Golfo Pérsico, com
concordância das monarquias absolutas da região, os EUA têm bases permanentes
nos Emirados Árabes Unidos, Omã e Qatar (é em Doba que se situa o
quartel-general da Operação Liberdade Iraquiana) e ainda no Kuwait, desde a
Guerra do Golfo, em 1991, e Bahrein, sede da V Esquadra. Possuem bases também
no Iêmen. Entretanto, as mais importantes estão na Arábia Saudita, dotadas de
aviões F-15 e F-16, de caças-bombardeiros F-117 e aviões de espionagem U-2 e
AWACS.
Duas das unidades sauditas abrem e fecham os dois gasodutos do país. Ras
Tanura, talvez a mais importante, está encostada ao porto petrolífero de Al
Khoba. O país é o primeiro produtor de petróleo do mundo e possuidor das
maiores reservas. Na África, a presença militar norte-americana é
particularmente importante nos três países do “chifre africano”: Djibouti,
Eritréia e Etiópia. Em meados de dezembro, o secretário norte-americano da
Defesa, Donald Rumsfeld, de visita oficial à região, obteve de todos eles
acordos de cooperação específica. Argumento: a luta contra o terrorismo.
No meio do índico, na ilha britânica de Diego Garcia, está uma das mais
importantes bases militares do mundo. É aí que hibernam, à espera de ser
convocados, os bombardeiros estratégicos B-52. Eles podem chegar, ao fim de uma
hora, a qualquer objetivo num raio de 1 mil quilômetros. Os B-2 Spirit também
estão ali posicionados. É a mais austral das bases norte-americanas da
região, autorizada pelo Reino Unido num tratado (1964), cujos termos nunca
foram dados a conhecer.
No Cáucaso, os norte-americanos estão na Geórgia e no Azerbaijão, e, na
Ásia Central, espraiam-se, além do Afeganistão, pelo Uzbequistão,
Tajiquistão, Quirguízia e Cazaquistão. O caso cazaque é ilustrativo. Muitos
dos meios usados pelos EUA na guerra aos talibãs passaram pelo aeroporto
internacional de Astana, no âmbito de um acordo militar assinado em julho do
ano passado com as autoridades desse país. O estreitamento das relações entre
Washington e o regime autoritário de Nursultan Nazarbayev deve-se ainda a outro
motivo: o subsolo cazaque, equivalente a quatro Texas, é rico em petróleo.
O caso europeu é diferente. Ali, a presença dos EUA já não tem o caráter de
outrora, do tempo da Guerra Fria. As bases norte-americanas no velho continente
têm hoje, essencialmente, um valor logístico. No corrente conflito do Iraque,
com exceção das unidades estacionadas no Reino Unido e Itália, as outras, por
exemplo as situadas na Alemanha ou Espanha, têm sido usadas mais como meios de
apoio, de trânsito ou de prestação de serviços médicos, do que de ataque.
Na Europa, além destes quatro países, os norte-americanos possuem, ainda,
bases na Islândia (Keflavik), Bélgica, Dinamarca (Thuele), Portugal (Açores),
Hungria (Taszar), Turquia (Adana) e Grécia.
A América Latina é outra zona na salpicada de bases norte-americanas. Os EUA
nunca desleixarão com a região, que é, desde James Monroe, a sua linha de
defesa mais importante.
Washington tem, do México para baixo, pelo menos 20 bases. Nas Caraíbas está
presente, por exemplo, em Aruba (Rainha Beatriz) e Curaçao (Hato), nas Antilhas
Holandesas ou em Guantánamo, na ponta Leste da linha de Cuba, uma das suas mais
antigas posições no estrangeiro, desde 1903. Em Barbados, também há homens e
meios. Na América Central, existem unidades em El Salvador e Honduras,
respectivamente, nas localidades de Comalapa e Soto Cano.
Na América do Sul, devido ao encerramento, no final do século passado, das
bases no Panamá, entre elas Howard, na seqüência da entrega do canal aos
panamenhos, a presença norte-americana é particularmente forte na Colômbia,
Equador e Peru, justificada em todos os casos pelo combate ao narcotráfico. No
caso colombiano, ela passa instrução das forças locais na luta contra as duas
organizações de guerrilha do país, as Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).
Os EUA estão, ainda, no Setentrião Oriental - Suriname e Guiana Francesa -,
onde ajudaram a remodelar infra-estruturas aeronáuticas. Na Bolívia, vêm
colaborando estreitamente para a erradicação do cultivo da folha de coca. Este
apoio teve o seu pico sob o mandato do presidente Hugo Banzer. No Paraguai, há
um trabalho muito diversificado: ao mesmo tempo que treinam as forças locais
para o combate ao narcotráfico e o terrorismo, abrem poços artesianos, postos
de saúde e escolas. Em Assunção, os serviços de informação
norte-americanos estão instalando a sua maior antena de rastreio do
subcontinente.
Finalmente, no Oriente, há bases norte-americanas no Japão, tais como: Kadena,
Misawa, Atsugi, Yokota e outras, com um efetivo de 63 mil homens no total. Na
Coréia do Sul, várias, como Kunsan City e Osan, com um total de 37 mil homens,
ou nas Filipinas, aqui lutando ao lado das forças regulares contra os rebeldes
da Abu Sayyaf, organização muçulmana suspeita de estreita ligação com a
Al-Qaeda, de Osama bin Laden.
Diante desta constatação, cabe-nos a seguinte indagação: para onde caminha o
pensamento estratégico que está norteando as mentes dos líderes republicanos
da superpotência hegemônica? À nossa reflexão!
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MANUEL
CAMBESES JR. © Copyright 2003