O
RENASCIMENTO DA BARBÁRIE
Nunca será suficiente a indignação provocada em todo o mundo, devido ao
horrendo atentado às cidades de Washington e Nova York e que ocasionou a morte
de aproximadamente três mil pessoas, durante os ataques perpetrados, pelos
terroristas talibãs, em 11 de setembro de 2001. Porém, compartilhar da dor das
famílias e amigos das vítimas e, ao mesmo tempo, manifestar compreensão
solidária ao povo norte-americano não supõe a obrigação de apoiar,
incondicionalmente, as iniciativas unilaterais do governo Bush que parece estar
determinado a envolver o planeta em novas e imprevisíveis guerras.
Se as coisas prosseguirem desta maneira, os “falcões” republicanos
continuarão agravando o cenário internacional. Com obstinação belicista,
agravada pelo desmoronamento da União soviética, uma parte considerável do
governo estadunidense tenta impor ao mundo suas decisões unilaterias.
Como pano de fundo para a adoção desta linha de ação estão os interesses
geopolíticos e geoestratégicos no Oriente Médio, acrescidos do interesse
econômico representado pelas imensas jazidas de petróleo do Iraque, país que
contém em suas entranhas a segunda maior reserva de hidrocarbonetos do planeta.
Hoje, mais do que nunca, o mundo necessita saber a verdade sobre a suposta
existência de armas de destruição em massa no Iraque - pois este foi o motivo
alegado para a invasão do país pelas tropas da coalizão anglo-estadunidense
-, ou se tudo não passou de uma tremenda farsa tramada nos bastidores do
Pentágono. Ironicamente, muitos setores da opinião pública mundial têm
questionado se o armamento nuclear colocado à disposição de um punhado de
países como: França, Rússia, Israel, Inglaterra, India, Paquistão, China e
Estados Unidos, não poderiam, também, desencadear destruições em massa e
sérios prejuízos para a humanidade.
Lamentavelmente, o antigo e sempre presente conflito entre israelenses e
palestinos tenderá a agravar-se e a complicar-se devido, principalmente, à
indiscriminada ação levada a efeito pelos norte-americanos contra o mundo
árabe, como se não houvesse substanciais diferenças entre eles, como se todos
os árabes fossem islâmicos e como se todos os islâmicos fossem terroristas.
Com a ativação do conceito de “ação preventiva” pelo governo republicano
de George Bush, em substituição à doutrina de dissuasão, tornou-se
irreversível o ataque ao Iraque, abrindo, a partir daí, o leque de opções
para a escolha das próximas vítimas que estejam rotuladas como pertencentes ao
“eixo do mal” e, portanto, passíveis de sofrerem ações repressivas e
corretivas.
É importante destacar que Saddam Hussein é fruto da malfadada política
externa de Washington que o utilizou em sua guerra contra o Irã. Observa-se, na
atualidade, que a barbárie ressurgida no Ocidente é similar à demência do
fundamentalismo islâmico. Combate-se o terrorismo com o propósito de salvar a
democracia, porém não se pode destruir a democracia e o multilateralismo com o
pretexto de acabar com o terrorismo.
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MANUEL
CAMBESES JR. © Copyright 2003