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EUA E A PREVALÊNCIA DO PODER MILITAR
Durante quarenta anos Washington e Moscou estiveram envolvidos em uma acirrada
competição pela superioridade militar. Que longínquos esses tempos da Guerra
Fria! Se o orçamento militar para o ano de 2003, solicitado pelo presidente
estadunidense George W. Bush, for aprovado, como tudo indica, os Estados Unidos
disporá de um portentoso quantitativo de 380 bilhões de dólares destinados,
exclusivamente, aos gastos militares. Isto representa, em realidade, quase o PIB
da Rússia que hoje situa-se próximo aos 401 bilhões de dólares. De fato,
apenas dezessete nações dispõem de um PIB superior ao orçamento anual
destinado à defesa dos norte-americanos (The Economist: World in figures, 2002
Edition). Entre esses países, certamente não encontraremos: Suíça, Bélgica,
Suécia ou Áustria, cuja riqueza doméstica apresenta-se muito abaixo do
montante de dinheiro que estará à disposição do Pentágono, para a
aquisição e manutenção de material militar. Somente o incremento em gastos
de defesa, para o ano de 2003, é da ordem de 48 bilhões de dólares o que
equivale, por exemplo, ao PIB da Hungria.
Colocado em outras palavras, os Estados Unidos disporá de mais de 1 bilhão de
dólares, por dia, para gastar exclusivamente em defesa. Isto permitirá o
desenvolvimento - repartido em vários exercícios orçamentários - e a
aquisição de uma nova geração de aviões de caça como: os F-22, F/A-18 e o
chamado “JOINT STRIKE FIGHTER” (avião de ataque conjunto), cujo custo total
girará em torno de 300 bilhões de dólares. A conclusão lógica é que, na
atualidade, o fosso existente entre o insólito desenvolvimento
científico-tecnológico e a superabundância de equipamentos de uso militar,
nos Estados Unidos, e o resto dos países do mundo, está crescendo em níveis
exponenciais. De acordo com Lord Robertson, Secretário-Geral da Organização
do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Europa está no caminho de converter-se
em um “pigmeu militar” em comparação com o seu prodigioso aliado
transatlântico. Richard Perle, presidente do Comitê de Política de Defesa do
Pentágono, foi ainda mais contundente ao afirmar que as forças armadas
européias chegaram a um “ponto de virtual irrelevância”.
Segundo nos assinala instigante matéria publicada em The Economist, em sua
edição de 16 de fevereiro do ano corrente, o incremento em gastos com defesa
solicitado para o ano de 2003, representa o maior aumento dos últimos vinte
anos. Por seu lado, a revista Le Monde (março 2002) enfatiza que “se esse
ritmo financeiro se mantiver como demonstram estudos do Pentágono, o orçamento
estadunidense destinado à defesa será 20% superior à média prevalecente
durante a Guerra Fria”. Em outras palavras, os gastos em defesa dos
norte-americanos serão consideravelmente superiores aos que prevaleceram nos
tempos da grande rivalidade com a União Soviética. Faz-se mister ressaltar que
já em 1997, o orçamento dos EUA era tão grande como o total das nações mais
poderosas que lhe seguiam nessa lista, e duplicava o orçamento de defesa de
todos seus possíveis adversários juntos (Harvard International Review, Winter
1997/1998).
Definitivamente, a preocupação evidente, de toda a humanidade, é que a
referida superioridade da superpotência possa conduzir à sobrevalorização do
unilateralismo e a conseqüente opção pelas ações militares, em detrimento
das negociações diplomáticas, no tabuleiro do poder mundial.
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MANUEL
CAMBESES JR. © Copyright 2003