COMUNICAÇÃO
E AÇÃO PSICOLÓGICA NA GUERRA
Em todas as operações de guerra, já que realizadas e conduzidas pelo homem,
existe sempre um aspecto psicológico, a par do confronto de forças materiais.
O esforço das autoridades em manter elevado o moral da população; o objetivo
constante de abater o moral do adversário; as manobras táticas; aquilo que
busca desequilibrar emocionalmente o inimigo – tudo isso representa o lado
psicológico da guerra.
Já 500 anos antes de Cristo, o pensador e general chinês Sun Tzu enfatizava a
importância de destruir psicologicamente o inimigo, e afirmava: “o importante
é enfraquecer ou destruir a vontade de lutar do inimigo, levar terror às suas
hostes”. Ora, a palavra-chave é a persuasão, que semeia o descrédito, a
covardia e o desequilíbrio espiritual; ou seja, enfraquece ou anula a vontade
de combater e de vencer.
Da mesma forma, é a persuasão que pode ajudar a elevar o moral dos combatentes
e das populações, fazendo-os compreender a importância da causa em jogo e a
necessidade de se lutar por ela e, também, vacinando-as contra a guerra
psicológica (do inimigo). Pesa, no entanto, sobre os povos do Ocidente,
sobretudo pela ética, o sentimento de que seria uma atitude potencialmente
perigosa a tentativa de controlar o espírito livre do homem, devendo, portanto,
ser evitada.
O antigo mundo comunista, manipulou com maestria e habilidade todos os meios
lícitos, até mesmo com a participação ou omissão dos adeptos nacionais,
para a conquista das mentes, e, em conseqüência, para o atingimento de seus
objetivos militares e políticos do mais profundo alcance. O desenvolvimento da
tecnologia e das ciências sociais veio trazer nova força para essa terrível e
eficaz arma, mesmo do ponto de vista estritamente militar.
Por ocasião da II Guerra Mundial, o emprego dos meios de comunicação assumiu
tal proporção, que os beligerantes passaram a considerar a arma psicológica
parte integrante do arsenal bélico e da condução dos assuntos da guerra.
Assim é que, antes mesmo de disparado o primeiro tiro de muitas batalhas, já
se travavam verdadeiros combates verbais e escritos, ambos partes integrantes da
estratégia dos dois blocos.
Ficaram famosas as transmissões da Rosa de Tóquio, da BBC de Londres e da Voz
da América, nos Teatros de Operações do Pacífico, da Europa e da África do
Norte, além de folhetos e cartazes espalhados por toda parte.
Os tempos mudaram, sofisticaram-se as técnicas e os meios. O inimigo de ontem
é o aliado de hoje e o aliado de ontem não precisa mais esconder sua vocação
imperialista. Recursos fabulosos e inteligentes artifícios são empregados para
alimentar e dar curso à guerra da mente.
O homem, por sua vez, tem cada vez mais necessidade de escutar, de falar, de
trocar idéias, de manter-se a par dos acontecimentos e de conhecer tudo o que
se passa em seu país ou pelo mundo, capaz de afetar a sua segurança.
Daí o enorme esforço que as grandes nações despendem com a Comunicação
Social, para propagação de determinadas notícias, ou para a retenção de
outras, visando a formação da opinião pública favorável a seus fins.
Valem-se das emoções que criam, como o medo e a ira, ou dos sentimentos que
despertam, como o amor, o ódio e o fanatismo.
O céu não é mais o limite. O homem, em carne e osso, já foi bem alto. Som e
imagem, com todas as cores do arco-iris, estão nos lares, via satélite,
dirigindo-se a uma audiência muito especial: a massa formadora de opinião.
Surge como desafio aos governos e seus planejadores, a busca de contramedidas
para tal fator de tamanha influência na guerra da mente.
Se ainda não há, é imperativo que as encontrem e a pratiquem, desde a paz, de
modo a resguardar a higidez mental da nação para que, em qualquer tipo de
guerra que a mesma se veja envolvida, não venha a ocorrer o que aconteceu na
Guerra do Vietnã, onde, antes de travar a batalha final, o vietcong já ganhava
essa guerra, na sala-de-estar dos lares estadunidenses, postados diante do
televisor, pois já se vinha quebrando a vontade desse povo de prosseguir na
Guerra.
Mutatis mutandis, observa-se no atual cenário de guerra do Oriente Médio, uma
acirrada guerra psicológica, no sentido de contabilizar opiniões favoráveis
entre o público interno das partes envolvidas, e em todos os rincões do
planeta, de modo a respaldar as ações militares e, também, tentar minimizar o
impacto das horrendas imagens que, a diário, são veiculadas pela imprensa
internacional.
Valendo-se de ações psicológicas, de permanente mobilização da população,
as partes conflitantes procuram evidenciar os aspectos metafísicos da guerra,
dando realce à “vontade nacional”, onde a exacerbação do patriotismo e a
criação de uma “cultura de resistência” são os fatores determinantes
para a consecução dos objetivos propostos, ou seja, a obtenção da adesão de
todas as camadas sociais da nação, a fim de conseguir fidelidade a seus
propósitos e obter a imprescindivel unidade de ação, no deslanchar de todas
as etapas da contenda.
*****************************
MANUEL
CAMBESES JR. © Copyright 2003