EXPRESSÃO
MILITAR E DESENVOLVIMENTO
O estudo da História, particularmente da História Militar de uma nação,
conduz a conclusões e realça aspectos capazes de influir na Expressão Militar
de seu Poder Nacional.
O estudo das campanhas militares, com seus erros e acertos, o respeito às
tradições, o culto aos heróis, etc, trazem reflexos à formulação da
doutrina, ao moral e à estrutura militares.
As tradições históricas e militares constituem, ainda, fatores de influência
sobre a Expressão Militar. Essas tradições, que cumpre cultuar e manter, não
devem, por outro lado, apresentar obstáculos intransponíveis à evolução, ao
desenvolvimento e à tecnologia militares.
No equilíbrio entre essas idéias, às vezes opostas, está o acerto que
revigora a Expressão Militar.
Assumem, também, papel de destaque, os aspectos qualitativos dos recursos
humanos; o apoio em maior ou menor grau da opinião pública nacional e mesmo
internacional; a coesão interna e a vontade nacional.
E, nesse contexto, ressalta a fundamental importância do Povo – expressão
máxima das forças vivas da Nação -, como verdadeiro esteio das Forças
Armadas, quando a elas se une, nelas se apóia e com elas se confunde. A
população traduz sua indispensável solidariedade à Expressão Militar
através da opinião pública, que deve constituir, sem dúvida, preocupação
constante quando se pretende manter em alto nível a discussão sobre os temas
que contemplem a segurança e defesa nacionais.
Nesse sentido, é imperioso o esforço de conservar integrados o homem militar e
o homem civil, sem discriminações de qualquer natureza, sem privilégios,
embora respeitadas suas diversas, mas naturais destinações.
Temos plena consciência que não se pode justificar a hipertrofia das Forças
Armadas, em prejuízo do processo de desenvolvimento da Nação, mas não se
pode admitir, por ilógico e temerário, que a Expressão Militar do Poder
Nacional seja colocada em plano inferior – vivenciando um processo gradual de
sucateamento e de desmantelamento, devido à crônica insuficiência de recursos
financeiros -, na falsa concepção de que a prioridade absoluta deve ser dada
ao Desenvolvimento.
Evidentemente, não é concebivel que existam nações desarmadas, porque
nenhuma delas seria capaz de desfazer-se de sua Expressão Militar para merecer,
por esse ato ingênuo, o respeito e a simpatia de todos os países. Não há
fórmula miraculosa capaz de manter a paz sem ameaças de conflitos ou de guerra
entre os povos.
Lembremo-nos das sábias palavras do Barão do Rio Branco – “O chanceler da
paz”-, que enfatizava a imperiosa necessidade de possuirmos um bom sistema de
armas para respaldar as nossas proposições no concerto das nações.
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MANUEL
CAMBESES JR. © Copyright 2003