A
CAMPANHA AÉREA NA GUERRA DO GOLFO
A efetiva aplicação do Poder Aeroespacial pelas forças da Coalizão, durante
a campanha aérea empreendida nesta última edição da Guerra do Golfo,
manifestou-se através de um adequado e eficaz domínio do espaço aéreo
sobrejacente ao território iraquiano.
A campanha aérea começou com um ataque maciço a radares e centros de
comunicação, produzindo um colapso na rede de comando e controle das Forças
Armadas iraquianas. Ademais, foram neutralizadas a aviação de combate e
interceptação e o sistema de defesa aérea, obtendo-se o integral domínio do
espaço aéreo iraquiano, com uma velocidade espantosa.
Evidentemente que a alta tecnologia dos meios aéreos aliada à sofisticação
do emprego operacional desses vetores - empregados pelas forças aéreas dos
Estados Unidos e Inglaterra -, permitiram que fossem realizados ataques precisos
a alvos pré-selecionados, minimizando os “efeitos colaterais”, reduzindo
consideravelmente o risco de afetar a população civil e, também, que fosse
afetada a infra-estrutura essencial à manutenção das necessidades básicas da
população iraquiana.
Antes que as forças da Coalizão deslanchassem uma campanha aérea dessa
magnitude tornou-se imperativo que, precedendo às ações bélicas, fosse
elaborado um minucioso Plano de Inteligência, conjugando o emprego de complexos
elementos técnicos e de sofisticados meios satelitais e eletrônicos, através
da interpretação de imagens obtidas por satélites, mantendo escuta permanente
da rede de informações iraquiana, interceptando suas comunicações, para que,
a seguir, experientes analistas esquadrinhassem, minuciosamente, a área onde
iriam se desencadear as operações aeroestratégicas e/ou aerotáticas.
De posse destes dados, que foram levantados com extrema precisão, o
estado-maior anglo-estadunidense teve condições de efetuar um consistente
Plano de Operações Aéreas, efetuando uma criteriosa seleção de objetivos e
priorizando os alvos vitais que deveriam ser contemplados para a consecução da
campanha aérea.
Terminado o conflito, pode-se afirmar que, indubitavelmente, uma das lições
extraidas da Guerra do Golfo, foi a confirmação da imperiosa necessidade de
manter-se um estreito relacionamento entre as Forças Armadas participantes, de
modo a propiciar as condições para que fosse alcançada uma vitória rápida e
decisiva pela Coalizão.
Ademais, podemos inferir que, uma vez mais ficou evidenciado que, na atualidade,
o Poder Aeroespacial - por seu notável efeito dissuasório - aliado a um
consistente Plano de Inteligência, será sempre a primeira e última opção em
qualquer tipo de conflito, tornando totalmente vulnerável as forças do
oponente, desestimulando-o a prosseguir na contenda.
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MANUEL
CAMBESES JR. © Copyright 2003