O PÓS-GUERRA

 

        O Fim da guerra, ironicamente, não foi celebrado pelos pilotos. “Em vez de sentir alegria, foi tristeza”, lembra Guimarães. É compreensível. Eles estavam treinando para a guerra, e o seu fim pareceu tirar o sentido daquele treinamento árduo. “Ficamos decepcionados com o fim da guerra. É coisa de jovem, de louco”, ecoa Martins.

        De volta ao Brasil, aqueles que tinham reinado como caçadores serviram algum tempo na base aérea de Santa Cruz voando P-47, junto de vários veteranos da guerra na Itália. “Era um período muito bom, o pessoal que veio da Itália era muito bom”, segundo Guimarães. Ele e Menna Barreto foram voar táxi aéreo na Bahia por um tempo.

        Em 1948 já estavam desempregados em massa, jovens de 20 anos de idade e com pouco dinheiro. Quem não era do Rio ficava “em um hotel sem-vergonha, mas que aceitava fiado, o Hotel Primavera, apelidado ‘Spring’, em cima de uma padaria e de um cabaré. Mal dava para dormir com o barulho”, lembra Martins.

        O carioca Ajuz conta como surgiu a oportunidade de ir ao Caribe: “Encontrei um colega da FAB que me falou dessa chance. Mandou procurar o comandante Joper, das Aerovias Brasil, genro de um coronel dominicano. O Joper me perguntou se eu teria como arranjar uns oito pilotos para formar metade de um grupo de caça.” Ao mesmo tempo, Trujillo comprava armamentos brasileiros, como fuzis e velhos canhões, que seriam enviados por mar (para ensinar como usar esse material, dois oficiais e dois sargentos do Exército moraram na República Dominicana na mesma época que os aviadores). Um dos brasileiros, Clark, viajou para o Caribe em um navio dominicano repleto de armas. “Foram longos 19 dias de viagem”, ainda hoje se lamenta Clark.

        Martins conta que recebeu uma carta de Guimarães sobre o convite dos dominicanos, mas que a princípio não acreditou, pois “estava escrita em papel do Hotel Primavera, onde nós ficávamos quando estávamos duros. Achei que era brincadeira”. Só acreditou depois de um telefonema urgente do amigo.

        Não foi difícil aceitar. Eles eram jovens, e aquilo era uma aventura. Seriam pagos em dólar, e voariam aviões com os quais sonhavam, como o P-51 e o caça bimotor P-38 Lightning.

 

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 (Texto retirado das páginas da Revista Força Aérea. Copyright © 1996 -
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