Resumo Este estudo tem por objetivo descrever as contribuições do poder aéreo nas campanhas do norte da África e do Pacífico na Segunda Guerra Mundial. Apresenta uma contextualização histórica sobre o tema, aborda os teóricos da guerra, os principais líderes envolvidos nesses conflitos, e enfoca o importante papel do poder aéreo nas campanhas do norte da África e do Pacífico. Palavras-chave: Poder Aéreo. Segunda Guerra Mundial. Campanha do Norte da África. Campanha do Pacífico. 1 INTRODUÇÃO Em outubro de 1929, ocorreu a quebra da bolsa de valores dos Estados Unidos da América (EUA), dando início à Grande Depressão: pobreza, desemprego e fome espalharam-se pelo mundo. O colapso econômico na Europa favoreceu o apoio a partidos políticos radicais, como os fascistas na Itália, os comunistas na Rússia e os nazistas na Alemanha. Esse fato permitiu a Hitler se tornar uma força política na Alemanha e ascender ao poder. Na década de 1930 houve a Guerra Civil Espanhola: um embate entre forças fascistas e tropas leais à coalizão socialista-comunista. Militares alemães participaram daquele conflito e ganharam experiência em combate, utilizando, inclusive, a aviação. De acordo com Kaldor (2007, p. 28), “para as nações aliadas a Segunda Guerra Mundial foi literalmente uma guerra contra o demônio [...]: a luta contra o nazismo e a proteção do seu próprio modo de vida”, ou seja, os aliados lutaram em nome da democracia e/ou do socialismo contra o fascismo. Essa mesma autora propõe um quadro em que trata da evolução das guerras, conforme a seguir:
Quadro 1 – Evolução das Guerras Fonte: Adaptado de Kaldor (2007, p. 16). Neste artigo, a Segunda Guerra Mundial será abordada sob a ótica dos países aliados, dentre eles, os Estados Unidos da América (EUA), Inglaterra e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), uma vez que derrotaram o Eixo constituído por Alemanha, Itália e Japão, e também por existir uma grande parte da literatura favorável aos Aliados. Essa guerra foi abrangente, com combates sendo travados em várias partes do globo terrestre. Seus custos econômicos e sociais foram imensos, sendo considerado o conflito mais sangrento da história da humanidade, que contabilizou um número estimado em torno de 40 a 50 milhões de pessoas mortas durante seu curso, seja em batalhas, ações de genocídio, e nos bombardeios aéreos (JORDAN; WIEST, 2008b). No Japão, os ataques aéreos foram responsáveis por infligir perdas severas entre a população civil, como ocorreu nas cidades de Tóquio, com bombardeios convencionais, e em Hiroshima e Nagasaki, com as bombas atômicas. No cenário do Pacífico, entre os combatentes japoneses havia a crença de que era desonroso se render, e por isso lutavam até a morte. Os atores principais envolvidos no combate como Inglaterra, Alemanha e outros países da Europa, sofreram ataques aéreos dos adversários contra suas cidades, com baixas na população civil, à exceção dos EUA, que tiveram apenas o ataque de Pearl Harbor, uma base militar norte-americana no Havaí. De acordo com Paret (2001), Clausewitz pontuou três áreas que compunham a guerra, associadas a um campo de ação diferente da sociedade: o primeiro elemento estava relacionado ao povo; o segundo apresentava-se em função do comandante e de suas forças; e o terceiro, em que política “é problema só do governo” (p. 277). Assim, o presente artigo tem por objetivo descrever as contribuições do poder aéreo nas campanhas do Norte da África e do Pacífico na Segunda Guerra Mundial. Na condução deste estudo científico foram utilizadas metodologias de pesquisa bibliográfica e documental conforme Gil (1989), Beaud (2005), Gomes (2006) e Gonçalves (2004). Conceitualmente, este estudo foi aprofundado a partir dos referenciais teóricos, acrescentando-se ainda pesquisas em documentos do Comando da Aeronáutica (COMAER) e em publicações nacionais e internacionais. Neste artigo revisaremos, inicialmente e de forma sucinta, alguns autores que, profetizando sobre o poder aéreo ou vivenciando a evolução da aviação militar, sedimentaram a importância desse instrumento bélico surgido àquela época. A seguir, abordaremos dirigentes políticos que lideraram seus países no conflito e alguns comandantes que no teatro de operações influenciaram os resultados das batalhas. Mais adiante, descreveremos a Campanha do Pacífico e do Norte da África, e posteriormente teceremos as considerações finais. 2 OS “SENHORES DA GUERRA”: TEÓRICOS DO PODER AÉREO No início do século XX, os poderes naval e terrestre estavam sedimentados em termos de conceitos, doutrinas e procedimentos. Em contrapartida, o poder aéreo não possuía esses pontos muito bem aclarados. Na Itália da segunda década daquele século, surgiu o pioneiro das teorias do poder aéreo. ü Giulio Douhet (1869-1930) Conhecido atualmente como o “profeta da guerra aérea”, Douhet era oficial italiano e entrou em conflito com os estrategistas do exército do seu país, pois suas opiniões eram contrárias aos conceitos clássicos da época. Afastou-se do serviço ativo em 1921 e dedicou-se a divulgar suas ideias inovadoras. No primeiro capítulo do seu livro, O domínio do ar, escrito em 1921, refere-se à nova forma de guerra, em se tratando do aeroplano, que “[...] abrindo um novo campo de ação, o campo aéreo, estava destinado a levar a humanidade a lutar também no ar [...].” (DOUHET, 1988, p. 23). Na parte inicial do seu livro, ele afirma: “[...] por meio da arma aérea não apenas os explosivos, mas também químicos e venenos bacteriológicos podem ser levados a qualquer ponto de território inimigo para acarretar mortes e destruição no país inteiro.” (DOUHET, 1988, p. 27). Um fato que confirma isso é que durante a Segunda Guerra Mundial, Churchill aventou a hipótese de bombardeio químico sobre a Alemanha – ideia rejeitada pelo alto comando militar inglês. Em outro tópico, o mesmo autor, profetizando o cenário das batalhas no Pacífico durante a Segunda Guerra, assevera: [...] por meio do aeroplano as repercussões da guerra podem ser sentidas nas regiões muito além daquelas atingidas pelo maior alcance dos fogos dos canhões usados nas superfícies espalhando-se por centenas de quilômetros, em todo território inimigo e nos seus mares circundantes. (DOUHET, 1988, p. 30). Douhet (1988) também afirma que a destruição das forças aéreas inimigas é o modo preventivo e prático de não ser atacado por suas forças aéreas. No Pacífico, uma das estratégias nipônicas foi tentar destruir os navios aeródromos americanos. A campanha do Norte da África foi uma guerra de logística e de suprimentos, em que o poder aéreo foi o fator decisivo. A obtenção do domínio do ar é o mais adequado à arma aérea: “[...] a nação que quiser deter o domínio do ar deve [...] isolar o exército e armada inimiga de suas bases não só impedindo de combater como destruindo sua própria fonte de vida.” (DOUHET, 1988, p. 45). Ainda conforme Douhet (1988, p. 52): “[...] o domínio do ar significa vitória, ser derrotado no ar significa derrota, além de estabelecer a necessidade de aceitar quaisquer condições que o inimigo impor.” A rendição japonesa tornou-se certa a partir da superioridade aérea americana. Em relação ao emprego estratégico e tático da aviação, prevendo a criação de escolas e doutrinas de poder aéreo, Douhet (1988, p. 100) afirma: “[...] embora o emprego estratégico de uma força aérea possa ser assegurado pela boa aplicação de alguns princípios básicos seu emprego tático requer um estudo teórico e prático tanto de seus armamentos como de suas unidades.” Ao final de sua obra, Douhet (1988) profetiza que o futuro confirmará a verdade de suas afirmações e que a guerra aérea será o elemento essencial nos conflitos, aumentando a importância das forças aéreas. ü Alexander P. Seversky (1894-1974) Em seu livro A vitória pela força aérea, publicado em 1942, ao comentar sobre a guerra no Pacífico, que “[...] a guerra que a América pode ganhar e ganhará – começou sobre maus auspícios” (SEVERSKY, 1988, p. 287), referia-se ao início das vitórias japonesas. A seguir, reporta-se ao clamor das frentes de batalhas por mais e melhores aeroplanos, em vez de tropas, tanques e navios. Ainda discutindo sobre o papel dos domínios dos céus e do mar, Seversky (1988) assevera que mesmo destruindo o poderio marítimo japonês, os Aliados deveriam manter-se à distância com sua armada dos mares dominados pela força aérea nipônica. Ele ainda afirma que: “[...] quanto mais cedo adotarmos novas estratégias, preparando-nos para o assalto aéreo direto ao coração do inimigo tanto melhor.” (p. 292), referindo-se à estratégia americana de pular as ilhas, ou seja, não dominar, na conquista do Pacífico, aquelas que não tinham interesse estratégico. Em relação ao papel da força aérea no desenrolar da Segunda Guerra Mundial, o autor prognostica que a força aérea é a arma americana, bastando prover as condições para seu desenvolvimento. Seversky (1988) antecipava, dessa maneira, a capacidade de mobilização da indústria americana na época. Outro ponto tocado por esse autor é quando se refere às palavras do General americano, Mitchell, que afirma que o fator decisivo na defesa do Pacífico é a força aérea (SEVERSKY, 1988), reforçando a importante atuação das aeronaves naquela região. Ainda em seu livro, no capítulo intitulado “As lições da força aérea para a América”, Seversky (1988) aponta como primeiro requisito para saltar etapas e alcançar pontos mais avançados que as outras nações, ou seja, obter a vitória: ser necessário compreender os novos princípios demonstrados pela guerra. Dentre as principais lições da força aérea moderna naquela época, o autor destaca que, primeiramente, deve-se conquistar o domínio do ar, acima da área respectiva ou nenhuma operação terrestre ou naval será possível, sinalizando os fatos que ocorriam no norte da África e no Pacífico. Referindo-se então às operações britânicas no Norte da África, mais precisamente na Líbia, Seversky (1988) afirma que estas tiveram êxito porque a Royal Air Force (RAF) e os aviões com base em navios obtiveram o domínio dos ares graças à inferioridade da aviação italiana. Quando a aviação alemã chegou na África, o Eixo conseguiu o domínio do ar e os ingleses retiraram-se para o Egito, onde sob a proteção da RAF permaneceram seguros. A volta dos ingleses à Líbia, em 1941, foi de novo sob proteção aérea (SEVERSKY, 1988). Um outro princípio de Seversky (1988) que podemos ressaltar é: a força aérea precisa ter seu próprio sistema de transporte, ao explicar que a Alemanha fez transporte aéreo de suprimentos, combustível, equipamentos e até de tanques leves para o norte da África. ü Hugh Trenchard (1873-1956) Foi o primeiro Marechal do Ar da RAF e também o seu organizador. Para ele era essencial o domínio do espaço aéreo para que as operações em terra ou no mar tivessem sucesso. Em seus escritos transparece a importância atribuída à conquista e manutenção de uma situação aérea favorável. Trenchard considerou abertamente a cooperação do poder aéreo com os poderes terrestre e naval, e defendeu a independência da força aérea ao observar os acontecimentos da Segunda Guerra, uma vez que vivenciou a Primeira Guerra. Ele escreveu três artigos divulgados na Grã-Bretanha em 1946. Em seu Paper nº 1 (BRASIL, 2004), afirma que planejar corretamente o emprego do poder aéreo é vital para o mundo e, em particular, para os britânicos. Em seus escritos, Trenchard afirma que nem o exército e nem a marinha podem lutar sem um grande número de baixas, salvo se a força aérea tenha, previamente, ganho a batalha pelo controle do espaço aéreo. Tratando da Campanha do Norte da África, ele descreve a sequência de vitórias em El Alamein, no Egito, e a seguir na Tunísia, com um custo de 20 a 40 mil baixas do lado dos Aliados, e faz a seguinte pergunta: “que fato novo ajudou essas vitórias a serem tão mais rápidas e econômicas?” E dá a resposta: “o poder aéreo” (BRASIL, 2004, p. 23). Ao descrever o conflito no Norte da África, Trenchard relata que voou sobre os campos de batalha a médias e baixas alturas e também os visitou, tendo verificado os estragos causados pelos bombardeios aéreos de ambos os lados (BRASIL, 2004). Sobre a Campanha do Pacífico e a atuação das forças aéreas, ele comenta o seguinte: E ainda, que dizer do Pacífico? É fácil para qualquer um verificar o que os japoneses fizeram aos americanos mesmo em Pearl Harbor e Singapura e agora o que as forças aéreas americanas e australianas estão fazendo com eles: a seus navios, a sua marinha e seus aviões. (BRASIL, 2004, p. 29). A Segunda Guerra Mundial teve também como característica marcante a atuação de líderes das nações envolvidas, que tanto do lado dos Aliados, quanto dos países do Eixo, tiveram suas trajetórias escritas na história da humanidade. 2.1 Os líderes políticos · Adolf Hitler (1889-1945): liderou a Alemanha e o partido nazista durante a Segunda Guerra Mundial; foi derrotado apenas pela intervenção dos Aliados. Tal grupo fez-se notável por ter sido constituído pelos principais representantes dos sistemas capitalista e socialista, entre os quais estavam os EUA e a URSS; ele sobreviveu sem ferimentos graves a vários atentados contra sua vida, e ordenou o extermínio de milhões de judeus e de pessoas que considerava inimigas do nazismo. · Benito Mussolini (1883-1945): de temperamento difícil, rebelou-se ao ser expulso do partido socialista e fundou o partido fascista em 1919. Sua política de direita, apoiada pela igreja e burguesia italiana, era de ódio explícito ao comunismo, e simpatizante do nazismo. Em 1922, Mussolini subiu ao poder por um golpe de propaganda, a marcha sobre Roma; formou o Eixo ao pactuar com a Alemanha e o Japão; iniciou os ataques aos ingleses no Norte da África. · Hideki Tojo (1884-1948): comandou o exército que invadiu a Manchúria na China, em 1937. Em 1940 foi nomeado Ministro da Guerra e assinou o pacto tripartite em dezembro com a Alemanha e Itália; foi Primeiro Ministro do Japão de 1941 a 1944, e conduziu os esforços de guerra nipônicos, o ataque a Pearl Harbor até a rendição do Japão. · Franklin Delano Roosevelt (1882-1945): assumiu a presidência dos Estados Unidos da América ao ser eleito em 1932; encontrou o país devastado pela crise econômica de 1929; criou um programa de obras para ocupar os desempregados e reergueu a economia; foi eleito presidente por quatro vezes consecutivas; tirou o país da neutralidade, tendo declarado guerra ao Japão no dia seguinte ao ataque sofrido pelos americanos em Pearl Harbor; liderou o esforço de guerra americano até abril de 1945, pouco antes do fim do conflito. · Winston Churchill (1874-1965): foi Ministro da Guerra e do Ar da Grã-Bretanha. Em 1940, chegou ao cargo de Primeiro-Ministro, aos 65 anos de idade; era um exímio orador e fez discursos memoráveis (LUKACS, 2009), conclamando o povo britânico à resistência. Sua aproximação com o presidente americano Franklin Roosevelt, visando a que os EUA ingressassem definitivamente na guerra, foi essencial para o êxito dos Aliados. 2.2 Os comandantes · Chuichi Nagumo (1887-1944): foi comandante da frota aeronaval japonesa. Comandou os ataques nipônicos nos primeiros meses de guerra, incluindo o de Pearl Harbor; foi derrotado na batalha de Midway e em outros embates. Em 1944, suicidou-se. · Isoroku Yamamoto (1884-1943): formou-se pela academia naval japonesa; conhecia o potencial industrial e militar dos norte-americanos; planejou o ataque a Pearl Harbor, porém afirmou naquela época: “[...] poderemos fazer tudo o que quisermos por seis meses ou um ano. Depois disso, não tenho nenhuma confiança no resultado final.” (BATTLEFIELD, 2008c); morreu em 1943. · Chester W. Nimitz (1885-1966): Comandante-em-Chefe da frota americana no Pacífico, reestruturando-a em forças-tarefas centradas em porta-aviões; foi um dos principais responsáveis por garantir a vitória americana nos mares. · Tenente Coronel James Doolittle (1896-1993): comandou o ataque de dezesseis bombardeiros B-25 que levantaram voo do porta-aviões USS Hornet no Pacífico em direção às cidades industriais japonesas. Essa missão demonstrou a vulnerabilidade nipônica no seu território, o que levou-os a uma nova ofensiva no Pacífico, que culminaria na batalha de Midway, em 1942. · Bernard Montgomery (1887-1976): inglês condecorado durante a Primeira Guerra Mundial, foi escolhido para comandar o primeiro exército na África e venceu a decisiva batalha de El Alamein; derrotou as forças do Eixo no norte da África. · Erwin Rommel (1891-1944): depois de lutar na Primeira Guerra Mundial foi instrutor de escola militar na Alemanha. Estrategista, ficou famoso por suas vitoriosas campanhas, principalmente no norte da África, tendo levado a alcunha de “raposa do deserto”; comandou o Afrika Korps – força enviada por Hitler para a África; foi acusado de tramar a tentativa de assasinato de Hitler. 3 A CAMPANHA DO PACÍFICO Ao final da Primeira Guerra Mundial, o Japão esperava ser favorecido pelos acordos de paz, mas isso não ocorreu, o que causou indignação no país e entre as forças armadas, que exerciam grande influência no poder político japonês (JORDAN; WIEST, 2008b). Em 1931, o exército japonês conquistou a província chinesa da Manchúria. Houve uma manifestação contrária internacional, o que levou o país a deixar a Liga das Nações e aumentar seu programa de armamento. Inglaterra, EUA e Holanda impuseram sanções contra o Japão, que afetaram o comércio internacional japonês e o suprimento de matérias-primas, como o petróleo. Sendo assim, restaram duas opções para os japoneses: buscar acordos para suspender as sanções, ou ir à guerra antes que os recursos acabassem. Durante o planejamento japonês para a guerra, foi identificado que a esquadra norte-americana no Pacífico era a maior ameaça, sendo decidido que o primeiro passo seria um ataque aéreo a Pearl Harbor, partindo de porta-aviões. Desde o início da guerra ficou claro que este equipamento aeronaval de guerra seria uma ferramenta importante e estratégica para ambos os lados. O primeiro modelo de porta-aviões foi improvisado por um piloto americano, Eugene Ely, em 1910, ao decolar de uma rampa montada em um navio; uma década após foram construídos modelos planejados para a guerra (BATTLEFIELD, 2008a). São navios que funcionam como bases móveis para transportar aviões de guerra até regiões onde é preciso realizar uma missão militar. São lentos e pesados e navegam protegidos por outras embarcações como fragatas, destróieres e submarinos. Na Campanha do Pacífico assumiram um papel decisivo, e os americanos souberam tirar proveito disso. A estratégia aplicada pelos japoneses no início da guerra do Pacífico foi baseada no domínio do ar. No ataque a Pearl Harbor, a frota nipônica com seus porta-aviões colocou-se a cerca de 440 km das ilhas havaianas; os aviões de caça japoneses tinham por missão destruir a aviação americana e os bombardeiros rumaram na direção dos navios atracados na ilha havaiana. Os japoneses tiveram a preocupação de impedir o inimigo de voar, obtendo o domínio do ar; sem essa condição prévia, a destruição da esquadra não seria alcançada com tal eficácia e rapidez. O ataque japonês começou com a decolagem de uma primeira onda de aeronaves às 6h, no dia 7 de dezembro de 1941. Às 7h55, a primeira aeronave chegou a Pearl Harbor, surpreendendo os americanos. Os ataques aéreos foram considerados um verdadeiro sucesso com 188 aeronaves destruídas e outras 157 danificadas (QUADRO 2). Essa ação foi cuidadosamente coordenada com diferentes elementos das ondas de ataque se aproximando de altitudes e direções variadas para confundir as defesas, além dos ataques contra os navios nos ancoradouros. Também foram realizadas ações contra campos aéreos com a intenção de destruir aviões. Os japoneses conseguiram destruir grande número de caças, várias aeronaves de patrulha da Marinha e um grupo de aviões bombardeiros B-17, que pousaram no meio do ataque. O Japão logrou sucesso contra a frota americana pelo custo de 29 aviões abatidos e 55 pilotos mortos.
Quadro 2 – As perdas no ataque a Pearl Harbor Fonte: Battlefield (2008c). Os Estados Unidos haviam se retirado para uma posição de isolamento depois da Primeira Guerra Mundial. No início da Segunda Guerra o país tentou manter sua neutralidade e fornecer abastecimentos para a França e a Inglaterra, que mantinham colônias e possessões na África e no Oriente. Depois do ataque japonês a Pearl Harbor, os EUA se mobilizaram totalmente, tendo o presidente americano, Franklin Delano Roosevelt, feito a declaração de guerra ao Japão, no dia 8 de dezembro de 1941: Como comandante em chefe das Forças Armadas, dei ordens para que se tomem todas as medidas para nossa defesa. Solicito que o Congresso declare que a partir do momento em que se produziu o infame e não provocado ataque japonês de 7 de dezembro de 1941, existe um estado de guerra entre os EUA e o Japão. (BATTLEFIELD, 2008c, s/pág.). Após a declaração de guerra, os EUA mobilizaram sua população e suas indústrias para o conflito e lançaram um contra-ataque ao Japão cujo efeito foi apenas simbólico. O arquipélago nipônico nunca tinha sido invadido, porém esta tradição foi quebrada em 18 de abril de 1942, quando o Tenente Coronel James Doolittle comandou 16 bombardeiros B-25 que levantaram voo do porta-aviões USS Hornet, no Pacífico com a missão de destruir as principais zonas industriais japonesas em Tóquio, Kobe, Osaka e Nagoia. O resultado foi aquém do planejado com o bombardeio de alguns alvos em Tóquio, sem grandes prejuízos; porém, demonstrou a vulnerabilidade nipônica. Esse ataque gerou o estímulo à nova ofensiva nipônica que deflagrou a batalha de Midway. 3.1 A Batalha de Midway O Japão decidiu colocar em prática um plano para expulsar os americanos do Pacífico – o que gerou dois confrontos com os americanos: a batalha de Mar de Coral e a Batalha de Midway. Em maio de 1942, o Mar de Coral foi palco da primeira batalha aeronaval da Segunda Guerra. Três porta-aviões japoneses escoltados por uma esquadra acercaram-se do litoral sudeste do arquipélago de Nova Guiné, pois a conquista dessa base garantiria o controle nipônico sobre o Mar de Coral. Todavia, a inteligência americana quebrou o código das mensagens secretas japonesas e soube dos seus planos. Desde o dia 1º de maio, dois porta-aviões americanos já estavam no Mar de Coral. Esta batalha terminou sem vencedores: os japoneses perderam o porta-aviões Soho; sendo outros dois, o Shokaku e o Zuikaku, danificados. Os americanos perderam o Lexington e tiveram danificado o Yorktown. A esquadra japonesa que seguia para Midway tinha dois objetivos: o primeiro, tomar o atol e convertê-lo numa base para invasão do Havaí; o segundo, aniquilar os navios de guerra americanos que saíssem de Pearl Harbor para socorrer Midway. O comandante da frota americana do Pacífico decidiu apostar o destino da batalha nos seus porta-aviões Enterprise e Hornet, e havia conseguido recuperar o Yorktown, que sofreu danos no Mar de Coral. A estratégia naval japonesa nessa batalha tinha como elemento vital o emprego de aviões de caráter tático, porém a aviação norte-americana, baseada em navios aeródromos, impediu o emprego de aviões japoneses ao destruir seus navios aeródromos. Essa batalha naval foi decidida unicamente pela aviação. No final da batalha, os quatros principais porta-aviões japoneses tinham sido afundados, levando a suspensão do plano de ocupação de Midway. Outro ponto a ser destacado foi a perda dos pilotos experientes nipônicos. Em seguida, o comandante americano retirou-se com sua esquadra para Pearl Harbor. O quadro a seguir, mostra as perdas no conflito:
Quadro 3 – As perdas da Batalha de Midway Fonte: Battlefield (2008a). A batalha de Midway foi um marco na Campanha do Pacífico, pois a força aérea e a marinha nipônicas sofreram pesadas perdas para os EUA. Em seu comunicado, após a batalha, o almirante americano Chester Nimitz, declarou: “[...] a vingança só será completa quando o poderio japonês for reduzido à impotência, demos um grande passo nessa direção.” (BATTLEFIELD, 2008a). Após esse embate vitorioso, os americanos tomaram a iniciativa nos três anos seguintes até chegar à rendição japonesa. 3.2 Operações aéreas contra o Japão Os ataques aéreos dos Aliados causaram caos nas cidades japonesas: morte de 84 mil civis em Tóquio, na noite de 9 de março de 1945 – isso foi possível graças à superioridade aérea americana sobre os céus do Japão, com ataques, também, de dia, a partir de Iwo Jima. Houve dois ataques com bombas atômicas, em 1945, um em 6 de agosto, em Hiroshima, que causou 80 mil mortos, e outro em 9 de agosto, em Nagasaki, que provocou 35 mil mortos, inaugurando uma nova era, a da dissuasão nuclear. Em 14 de agosto de 1945, o Imperador japonês transmitiu a mensagem de que a guerra chegava ao fim e de que o país havia sido derrotado (JORDAN; WIEST, 2008b). 4 A CAMPANHA DO NORTE DA ÁFRICA A campanha do norte da África começou com a declaração de guerra da Itália, em 10 de junho de 1940, e desenrolou-se até 16 de maio de 1943. Houve lutas travadas nos desertos da Líbia e do Egito, no Marrocos, na Argélia e na Tunísia. De um lado, Itália e a Alemanha configuravam o Eixo, e de outro lado, encontravam-se os Aliados, representados pela commonwealth e por exilados da Europa, que fugiram da ocupação alemã. Os EUA participaram das batalhas a partir da Operação Tocha. Em 1940, Mussolini dirigiu seus planos expansionistas para o Egito (protetorado britânico), a partir de uma base italiana na Líbia, perto da fronteira egípcia. O Marechal Graziani, comandante do exército italiano na África, recebeu a ordem de atacar os britânicos e contra-argumentou com Mussolini, devido à carência de recursos: aviões bombardeiros, tanques de guerra para areia, bateria antiaérea. Todavia, a ordem foi mantida, e depois de pequeno sucesso inicial, os ingleses desencadearam a Operação Compasso: contra-ataque britânico com avanço de 800 km além da Líbia, e prisão de 130 mil soldados italianos. A vitória dos ingleses foi uma provocação ao Reich, e Hitler enviou ajuda para a Itália (JORDAN; WIEST, 2008a). Os alemães se destacaram com o Afrika Korps sob o comando do Marechal de Campo Erwin Rommel, para socorrer os italianos que haviam sido derrotados pelos britânicos. Em 8 de novembro de 1942, uma força inglesa e americana, de mais de 600 navios, com cerca de 70 mil homens, desembarcou em Casablanca, Oran e Algiers nas colônias da África do Norte, da Vichy francesa (JORDAN; WIEST, 2008a). Era o início da Operação Tocha. As forças aliadas, constituídas por americanos e britânicos desembarcaram na África do Norte com a finalidade de abrir uma solução de continuidade, para num segundo tempo invadir a Itália e, com isso, avançar em direção à Alemanha. Os americanos discordavam dessa operação, pois consideravam que deveriam atacar a Alemanha com desembarque na França, porém os britânicos acreditavam ser necessário atacar o Eixo em pontos mais vulneráveis. Preponderou aí a opção estratégica de Churchill. Por questões políticas, o Norte da África, sob o controle francês do regime de Vichy era território hostil aos aliados, portanto, houve inicialmente combates. Os alemães conseguiram através da Itália, enviar tropas, e montaram uma posição defensiva na Tunísia. Enquanto isso, do lado oeste, os ingleses, com seu Oitavo Exército, pressionavam o Eixo. A guerra na África era, de certa maneira, uma guerra de abastecimento, pois havia necessidade dos suprimentos passarem pelas perigosas águas do Mediterrâneo para abastecer os exércitos no norte da África – área que estava sujeita a ataques aéreos (JORDAN; WIEST, 2008a). No início, com suas vitórias, o Eixo conquistou a maior parte das bases do Mediterrâneo central, restando apenas a ilha de Malta, a 110 km da Sicília, como elo vital para os ingleses na região. Esta ilha tornou-se alvo incessante de bombardeios e ameaças de invasão. A resistência de Malta foi fundamental para manter os ingleses em sua posição estratégica. Em 1942, a atividade alemã no Mediterrâneo chegou ao auge; a aviação alemã tinha o controle dos céus e os comboios britânicos eram atacados, porém a Alemanha estava envolvida na guerra com a Rússia, e os ingleses, utilizando rotas alternativas de abastecimento, conseguiram vencer Rommel em El Alamein no Egito; com isso, os alemães retiraram-se para a Tunísia A batalha de El Alamein foi a primeira vitória britânica contra um exército alemão na guerra, o que Churchill denominou mais tarde de “a virada do destino” (LUKACS, 2009, p. 112). No Leste da África, os aliados conquistaram várias bases aéreas, restaurando o equilíbrio do poder aéreo no Mediterrâneo contra a aviação alemã. A maioria dos pousos aliados era realizada em Casablanca, Oran e Algiers nas colônias africanas da Vichy francesa. A retirada alemã para a Tunísia, no leste, e os pousos Aliados no oeste da África, significaram a conquista de bases aéreas e os confrontos aéreos penderam a favor dos Aliados, que conquistando o domínio do ar atacaram linhas de abastecimento do Eixo na Tunísia, forçando sua rendição. Com a aviação alemã derrotada, aviões aliados começaram a pousar na Sicília, Itália. 4.1 O fim das batalhas na África Em 14 de janeiro de 1943, o Primeiro Ministro britânico, Winston Churchill e o Presidente americano, Franklin Roosevelt, reuniram-se em Casablanca, no Marrocos, e decidiram exigir a rendição incondicional das forças do Eixo. Naquele encontro ficou acordada uma invasão na Itália, o que forçaria os alemães a retirarem forças da frente oriental e do noroeste da França para ajudarem os italianos. Sem apoio aéreo e com desvantagem tanto em homens quanto em armamentos, o esforço alemão e italiano na África do norte estava chegando ao fim. Em 6 de maio de 1943, as forças inglesas iniciaram a Operação Vulcão com ataques aéreos e de artilharia, terminando com os recursos de guerra dos alemães na área (JORDAN; WIEST, 2008a). Diante da inutilidade de prosseguir na luta, Rommel pediu a Hitler para evacuar as tropas do norte da África, mas não foi autorizado. No final, os Aliados reuniram uma força poderosa contra as defesas do Eixo; em Túnis tinham uma vantagem de 6 homens para 1, 15 armas para 1, e um poder aéreo incontestável no campo de batalha. Completando o cerco dos militares do Eixo pelo ar, mar e terra, os Aliados, apoiados por aviões, tanques e canhões, tomaram a cidade de Túnis, com a rendição final dos alemães e italianos em maio de 1943. A vitória dos Aliados nessa campanha estabeleceu as bases para atuação na Europa. Como saldo do conflito podemos citar que as baixas entre alemães e italianos foram uma perda expressiva para o Eixo, com cerca de 315 mil soldados capturados, mortos, feridos ou desaparecidos. Os Aliados tiveram 56 mil soldados mortos, feridos ou desaparecidos (BATTLEFIELD, 2008b). Segundo Santos (1989, p. 107): [...] a Guerra nessa região processou-se de forma convencional, sendo travada a luta em torno da posse de pontos estratégicos. A aviação participou intensamente de todas as operações, tendo seu emprego assumido caráter essencialmente tático. Com efeito, as características deste teatro de operações eram de molde a recomendar o emprego da força aérea em coordenação com a concepção da Força Terrestre. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS As diferentes nações mobilizaram-se para a Segunda Guerra Mundial de modos diversos, durante as décadas de 1930 e 1940. O produto nacional bruto dos Estados Unidos cresceu 233%, passando de 91 bilhões de dólares em 1939, para 214 bilhões de dólares em 1945. A indústria de armamentos foi responsável por 50% do produto nacional em 1942. O esforço de guerra norte-americano criou 17 milhões de empregos (BATTLEFIELD, 2008c). No quadro a seguir, encontra-se a produção de aviões das principais potências entre 1939 a 1945.
Quadro 3 – Produção de aviões na Segunda Guerra Fonte: Adaptado de Jordan e Wiest (2008b, p. 248). Ao abordar a teoria estratégica e a história das guerras, Moran (2010) descreve os pontos-chaves para entender o problema central da teoria militar no século XX: o primeiro era reconhecer o impacto das aeronaves na guerra; o segundo ponto abordado, é que os bombardeios estratégicos e o seu uso para conseguir efeitos políticos diretos independentes das forças em terra e mar não foram comprovados como decisivos, como alguns entusiastas inicialmente esperavam; o terceiro ponto, é que as forças aéreas são indispensáveis capacitadores das modernas operações combinadas. De acordo com Santos (1989), na Segunda Guerra, pôde-se reconhecer o papel decisivo do poder aéreo, deixando de ser uma proposta visionária ou teórica de alguns poucos homens. Esse autor afirma ainda que a experiência da Segunda Guerra serviu para demonstrar que a superioridade aérea deve ser considerada um pré-requisito para a vitória, e possibilita uma efetiva cooperação com as forças de superfície. Conforme Brodie (1959 apud MACISAAC 2003, p. 226), [...] no emprego tático é que o sucesso foi mais espetacular e que as forças aéreas granjearam respeito e admiração irrestritos das outras forças singulares; em contraste, os êxitos puramente estratégicos, por maiores que fossem seus alcances em circunstâncias particulares, jamais convenceram completamente os observadores não comprometidos. Tanto o exército como a marinha do Japão possuíam braços aéreos, porém, somente o aeronaval desenvolveu uma força de atuação de longo alcance. Quanto à eficácia do bombardeio estratégico na Segunda Guerra Mundial, devemos lembrar, segundo MacIsaac (2003), que o emprego da bomba atômica superou, pela catástrofe provocada, todas as atrocidades cometidas pelos japoneses contra os prisioneiros de guerra e no ataque a Pearl Harbor. Conforme afirma Santos (1989, p. 107): Marechal Trenchard observa que a aviação havia demonstrado sua capacidade em vários cenários de guerra [...] como na ação dos japoneses em Pearl Harbor, na resposta subsequente dos Aliados contra os navios e os aviões japoneses ou ainda nos combates pela posse ou neutralização de pontos estratégicos na África. Assim, podemos concluir que é preciso reconhecer o importante papel da atuação das aeronaves na Segunda Guerra, pois a contribuição do poder aéreo foi decisiva na campanha do Pacífico, e a superioridade aérea garantiu o sucesso da campanha terrestre no norte da África. Dessa maneira, houve o incremento do papel do poder aéreo na Segunda Guerra Mundial. De acordo com Winston Churchill : “Para o bem ou para o mal, o Poder Aéreo é hoje a suprema expressão do Poder Militar. E frotas e exércitos, tão necessários e importantes terão de aceitar a subordinação. Este é o memorável desafio da marcha do homem.” REFERÊNCIAS BATTLEFIELD: Coleção. Batalha de Midway. São Paulo: Abril, 2008a. 1 DVD (120 min), Dolby Digital 2.0. P&B/color. Produzido por Abril Coleções. (As maiores Batalhas da Segunda Guerra, 8). ______. Batalha do Norte da África. São Paulo: Abril, 2008b. 1 DVD (120 min), Dolby Digital 2.0. P&B/color. Produzido por Abril Coleções. (As maiores Batalhas da Segunda Guerra, 11). ______. Pearl Harbor. São Paulo: Abril, 2008c. 1 DVD (120 min), Dolby Digital 2.0. P&B/color. Produzido por Abril Coleções. (As maiores Batalhas da Segunda Guerra, 7). BEAUD, Michel. Arte da tese: como preparar e redigir uma tese de mestrado, uma monografia ou qualquer outro trabalho universitário. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. BRASIL. Comando da Aeronáutica. Teoristas do poder aéreo. Rio de Janeiro: Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da Aeronáutica. 17 ago 2004. Mimeo. DOUHET, Giulio. O domínio do ar. Belo Horizonte: Itatiaia; Rio de Janeiro: Instituto Histórico da Aeronáutica, 1988. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1989. GOMES, Maria Paulina. Construindo soluções acadêmicas: monografias, dissertações e teses – do projeto à defesa. Rio de Janeiro: Universidade da Força Aérea; Editora Luzes, 2006. GONÇALVES, Hortência de Abreu. Manual de artigos científicos. São Paulo: Avercamp Editora, 2004. JORDAN, David; WIEST, Andrew. Atlas da II Guerra Mundial: Alemanha versus Inglaterra. São Paulo: Editora Escala, 2008a. v. 1. ______; ______. Atlas da II Guerra Mundial: A Batalha do Pacífico. São Paulo: Editora Escala, 2008b. v. 3. KALDOR, Mary. New and old wars. Stanford Califórnia: Stanford University Press, 2007. LUKACS, John. 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Belo Horizonte: Itatiaia; Rio de Janeiro: Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, 1988 [1] Coronel Médico, Vice-Diretor do Hospital Central da Aeronáutica, ex-chefe de Divisão de Ensino da DIRSA, Curso de Medicina Aeroespacial em 1985 no CIEAR, Especialista pela AMB/CFM em Clínica Médica, Endocrinologia e Metabologia e Terapia Intensiva, MBA em Gestão de Serviços de Saúde pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2006, Mestre em Ciências Aeroespaciais pela Universidade da Força Aérea (UNIFA) em 2007, e Doutorando em Ciências Aeroespaciais pela UNIFA.
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