ALBA: brilho fugaz

 

* Manuel Cambeses Júnior

          Não somente o projeto nacional chavista, idealizado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez Frias, está enfrentando um de seus piores momentos, em seus 11 anos de vida, mas, também, seu ambicioso projeto de expansão regional. Entre outros sinais, observa-se a acentuada estagnação e o desprestígio que, na atualidade, vive a ALBA (Associação Bolivariana para a América Latina), instrumento essencial e imprescindível, no entender dos bolivarianos, para tentar dominar a América Latina.

          É correto afirmar que o organismo ainda mantém certa influência e que dois de seus principais membros, Evo Morales, presidente da Bolívia, e Rafael Correa, presidente do Equador, foram reeleitos em 2009 e continuam acolhendo, com empenho, as estratégias chavistas para expandir as ideias do denominado “socialismo do Século XXI”. Entretanto, a ALBA vem obtendo importantes revezes nos últimos meses – como a perda de Honduras como aliado – e, na atualidade, aparenta total esgotamento, sem apresentar sinais de recuperação, a curto prazo.

        Entre as causas desse esgotamento, não somente cabe destacar a virada para o centro-direita que vem dando o mapa político regional, e a péssima situação sócio-econômica e política que vive a Venezuela, a qual limita toda a ação exterior do governo de Hugo Chávez, mas, também, ao fracasso da própria estratégia diplomática do chavismo, cada vez mais radical e intervencionista, que está suscitando forte rechaço na comunidade democrática internacional. A aberta ingerência venezuelana na crise hondurenha desprestigiou, ainda mais, as atividades da ALBA.

        Ainda não podemos falar de um bloco anti-ALBA, porém está se perfilando no continente um novo equilíbrio de forças que inclina o fiel da balança para o centro democrático.

        Diante deste cenário pouco promissor, podemos vaticinar que, num futuro próximo, a aliança formada pelos países constitutivos da ALBA, e capitaneada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, está fadada ao insucesso e, consequentemente, ao desaparecimento.

 

* O autor é Coronel-Aviador, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e vice-diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER)