1.2- Análise da Conjuntura Brasileira (1956/1964), através das Expressões do Poder Nacional:

1.2.1- Expressão Política

Os problemas de sustentação política que Getúlio Vargas enfrentara praticamente desapareceram com Juscelino Kubitschek. Restava conseguir o financiamento do seu Plano de Metas, que acabou recorrendo às três fontes clássicas: o Estado, a iniciativa privada e a importação de capitais, cada qual com um setor da economia. Algumas metas foram atingidas, outras não alçaram vôo. A verdade é que a percepção dos tempos de JK é a de liberdade, progresso e de uma inflação que não vai parar mais de crescer.


Antes que 1964 ganhasse condições de existência, o Brasil experimenta Jânio Quadros e João Goulart, num momento em que se aprofunda a politização do campo iniciada nos anos 50, do século passado, quando grupos e partidos de esquerda, principalmente o Partido Comunista Brasileiro, deslocam quadros para o interior para mobilizar e organizar a população rural.

 Criam-se as Ligas Camponesas, as Associações Rurais, o Movimento dos Agricultores Sem-Terra, que são entidades civis desvinculadas do controle do Ministério do Trabalho, ao contrário do que sucedia com os sindicatos. A pressão exercida por esses novos atores se integra às "Reformas de Base", com o que se dizia buscar uma maior participação das classes menos favorecidas, dentre elas, o agricultor, que passou a se chamar camponês.


O Movimento de março de 1964 nasce de uma grande ruptura do pacto que estatuía as relações existentes na sociedade. As pressões exercidas ultrapassaram o nível de tolerância do conflito, levando segmentos importantes a buscar uma atuação das Forças Armadas, incluindo-se o empresariado industrial, uma classe média assustada, o clero, além de um não desprezível endosso da grande imprensa. Há, também, a acrescer ao repertório de causas que derrubaram João Goulart o mau-funcionamento do "sistema", que já não respondia às demandas e nem conseguia impor decisões, configurando um vazio de poder de prolongamento improvável.


Os governos militares, malgrado evidentes diferenças ditadas principalmente pela atmosfera política em que exerciam o poder, levaram para a Chefia do Executivo princípios que definiam, até certo ponto, o udenismo: um ideário democrático liberal, um discurso de moralização dos costumes políticos e um modelo que buscava conciliar o modernizador estatizante e o conservador autoritário, estreitando, destarte, o espaço para os liberais, que começaram a rever sua adesão ao movimento.