Comentário

25 de dezembro de 2009

 

Luís Mauro Ferreira Gomes

 

Hipocrisia presidencial

                        Parece que os formadores internacionais de opinião começaram a despertar para a realidade política brasileira. Pelo menos, os independentes, os demais continuam a ver no presidente, inexplicavelmente, um “líder moderado”.

         O venezuelano Moisés Naím (1), em artigo intitulado “Cinco Hipócritas de 2009”, publicado na Edição Internacional, de 26 de dezembro de 2009, do jornal espanhol El País, já disponível no dia 25, relacionou, entre Instituições e indivíduos, aqueles que, a seu ver, são os cinco maiores hipócritas de 2009 (2).

         O senhor Luiz Inácio da Silva ocupou o quinto e último lugar. Por certo, essa posição não se deverá a um grau menor da hipocrisia do presidente, senão, à sua menor importância no cenário internacional.

         Vejamos o que disse Moisés Naím:

         “(...) 5. Lula da Silva. O presidente do Brasil declarou que Hugo Chávez é o melhor presidente da Venezuela em 100 anos. Mas nunca o ouvimos dizer qualquer coisa sobre as condutas autoritárias do seu amigo venezuelano. Sim, por outro lado, nós o vimos atacar, furiosamente, as recentes eleições em Honduras. Ele o fez na mesma semana em que recebeu, com honras, Mahmud Ahmadnejad, cuja vitória eleitoral também é questionada. O que têm as eleições no Iran, que não tiveram as de Honduras? Uma enorme fraude, mortes, torturas e a brutal repressão ordenada pelo governo de Ahmadinejad. O afável líder brasileiro parece não se haver inteirado disso, ainda”.

“Hoje não tem Natal”(3)

Este desabafo desesperado da avó de Sean, o jovem brasileiro incapaz e indefeso, “banido” para os Estados Unidos com a cumplicidade do governo brasileiro e de outros agentes do Estado que ele controla, será o título da matéria em que comentaremos o assunto e que incluiremos, a seguir, na Seção.

Gostaríamos de desejar Feliz Natal aos nossos leitores, mas, neste ano, não haverá Natal, nem para a família do pequeno Sean nem para os brasileiros que têm vergonha.

Assim, desejar-lhes-ei, apenas, Feliz Ano Novo e que Deus nos livre, ou nos ajude a livrar-nos, dos sacripantas que nos governam, seja por que via seja.

 

(1)     http://www.elpais.com/articulo/internacional/hipocritas/2009/elpepiint/20091220elpepiint_7/Tes

(2)     Moisés Naím é doutor em Economia pelo Massachusetts Institute of Technology; foi ministro da Indústria e do Comércio da Venezuela e diretor-executivo do Banco Mundial; e é, atualmente, editor da revista Foreign Policy  e colaborador de vários jornais (Financial Times, El País, Corriere della Sera) e da revista americana Newsweek.

(3)     http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u671150.shtml