Prevenindo a Osteoporose

Títulos

O que é

Incidência

Tipos

Quadro Clínico

Complicações

Fatores de risco

Diagnóstico

Prevenção

Tratamento

No Homem

Exercícios Físicos

Sol

Dieta

Tabelas Cálcio/Alimento

Suplementação de Cálcio

O que fazer para evitar quedas

Você sabia que...

O que é ? 

 

     A osteoporose, que quer dizer osso poroso, é uma doença osteometabólica que se caracteriza por baixa densidade do esqueleto, resultante da perda gradual e contínua do cálcio armazenado nos ossos. 

 

Essa descalcificação óssea, que ocorre naturalmente com o envelhecimento das pessoas, faz com que os ossos percam sua rigidez normal, tornando-se menos resistente à traumas e, por consequência, ficando mais vulnerável de sofrer fraturas, especialmente as do colo de fêmur, coluna vertebral e punho.  

Fratura de Colo de Fêmur

Para entender como a osteoporose se desenvolve é necessário conhecer alguma coisa sobre a estrutura e função do osso. O esqueleto ósseo é um tecido vivo e complexo que além de dar suporte aos músculos e proteção aos órgãos internos também armazena o cálcio, elemento essencial para numerosas funções orgânicas, entre as quais  a manutenção da densidade e consistência dos ossos. O organismo mobiliza esse cálcio dos ossos quando não existe ingestão suficiente desse elemento ou quando há uma necessidade adicional, como ocorre na gravidez e na lactação, por exemplo.

O esqueleto ósseo, embora apresente uma constituição rígida, é formado por um tecido ativo que está em contínua renovação e, dessa maneira, com o passar do tempo um novo tecido ósseo substitui o tecido ósseo existente anteriormente, ou seja, o osso velho vai sendo gradualmente removido e substituído por um osso novo. Esse processo dinâmico é chamado de remodelação óssea.  

 

    A remodelação óssea é diferente em cada fase da vida.  Durante a infância, na adolescência e no início do período adulto a quantidade de osso novo depositado é maior que a quantidade de osso velho removido. 

 

Como resultado o esqueleto cresce, os ossos tornam-se maiores, mais densos e mais fortes. O pico de massa óssea, definido como a máxima densidade e resistência óssea que o indivíduo pode atingir, é alcançado entre 20 e 30 anos de idade. Depois dessa idade a remoção óssea lentamente começa a ser maior que a reposição.

Os ossos sofrem grande influência dos hormônios femininos ( estrógenos), da calcitonina  produzida pela tireóide, e do hormônio da paratireóide (glândula situada próxima a tireóide). Os estrógenos deixam de ser produzidos pelos ovários das mulheres que estão na menopausa, iniciando entre 45 e 55 anos de idade, por esta razão há uma tendência aumentada de perda óssea e maior risco de osteoporose na população feminina.

O homem também perde osso, mas numa taxa muito menor.   

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Incidência
   

Para se ter uma idéia da gravidade do problema podemos citar o fato de que um terço das mulheres que atingem 60 anos apresentam microfraturas de vértebras. Tais pacientes têm como consequências a deformidade na coluna vertebral, perda da estatura e em alguns casos dificuldade de locomoção.

Segundo dados do último censo realizado pelo IBGE, 10% da população brasileira – aproximadamente 17 milhões de pessoas têm acima dos 60 anos, faixa etária em que a osteoporose apresenta maior incidência.

Estima-se que a osteoporose atinge uma em cada quatro mulheres na menopausa - após os 65 anos, uma em cada três mulheres.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, um terço das mulheres brancas com mais de 65 anos são portadoras dessa doença. Estima-se que 50% das mulheres com mais de 75 anos venham a sofrer alguma fratura consequente ao processo de osteoporose. Apesar  da osteoporose ser menos comum no homem do que na mulher, calcula-se que  1/4   das fraturas de quadril ocorram no sexo masculino.

Nos Estados Unidos a osteoporose é responsável por mais de 1,5 milhões de fraturas ao ano, incluindo 300 mil fraturas de quadril, 700 mil fraturas de vértebras,  250 mil fraturas de punho e 300 mil fraturas em outros ossos do esqueleto.

Apesar destes números alarmantes, uma pesquisa da Gallup encomendada pela “National Osteoporosis Fundation” em 1991, evidenciou que 75% das mulheres americanas entre 45 e 75 anos (grupo de maior risco), jamais haviam discutido o tema osteoporose com seus médicos.

Vale a pena enfatizar que o tratamento das fraturas osteoporóticas representam um elevado ônus financeiro.  O custo estimado do tratamento das fraturas osteoporóticas nos Estados Unidos foi da ordem de 13,8 bilhões de dólares em 1995 e deve aumentar na medida que aumenta a população idosa.   

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Tipos de Osteoporose 

Tipo I - pós-menopausa
Tipo II - senil
Secundária ao uso de medicamentos 

Quadro Clínico 

A osteoporose é uma doença “silenciosa”, não apresentando sintomas até que aconteçam as fraturas ósseas. Em alguns pacientes a primeira manifestação da osteoporose é uma fratura.

Todavia é comum a queixa de dor crônica nas costas, decorrente de alteração na postura e contratura muscular ou por microfraturas de vértebras não visíveis ao Raio-X.  Essas fraturas da coluna promovem um achatamento progressivo das vértebras, havendo consequentemente uma diminuição da altura corporal do indivíduo.

Os ossos que se quebram com maior facilidade são as vértebras, fêmur, ossos do punho e pequenos ossos periféricos (metatarsos).    

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Complicações 

As principais e mais temidas complicações da osteoporose são as fraturas. Quando elas ocorrem nos corpos vertebrais aparecem dores agudas, algumas vezes acompanhadas por raquialgia. Ao longo do tempo, com o aparecimento de uma ou mais vértebras com fraturas, começam apresentar alterações da postura como a cifose dorsal (corcunda) e desvios laterais da coluna (escoliose).

A osteoporose não tratada pode tornar-se doença extremamente dolorosa, desfigurante, incapacitante e com importante repercussão sobre a qualidade de vida.

As  fraturas do fêmur necessitam de tratamento cirúrgico. Isso implica em internação hospitalar, repouso e posteriormente fisioterapia para recuperação dos movimentos. O quadro é mais alarmante quando vê-se que a metade  dessas pacientes acometidas por uma fratura de colo de fêmur secundária à osteoporose deixam de andar sozinhas, tornando-se total ou parcialmente incapacitadas, e aproximadamente 20% dessas pessoas vêm a falecer,  num prazo aproximado de dois anos, em decorrência de complicações circulatórias e respiratórias.

O diagnóstico precoce da perda de massa óssea geralmente é feita pela Densitometria Óssea, contudo também pode ser possível mediante avaliação clínica e pesquisa dos fatores de risco.    

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Fatores de Risco 

Fator de Risco é qualquer condição que aumenta a chance do indivíduo desenvolver osteoporose. Esses fatores de risco podem ser esquematicamente divididos em: 

Fatores de Risco não Modificáveis:

• sexo feminino – as mulheres podem perder até 20% da massa óssea nos 5 a 7 anos que se seguem a menopausa, tornando-as mais vulneráveis a osteoporose;

ser alta e magra ou ter a estrutura corporal delicada;

• ser da raça branca ou asiática (japonesa, chinesa, etc);

• ter idade avançada;

• história familiar de osteoporose e ocorrência de fraturas ósseas principalmente da mãe;   

Fatores de Risco Modificáveis:  

tabagismo;

alcoolismo;

uso frequente de bebidas contendo cafeína;

dieta pobre em cálcio;

baixa exposição solar;

sedentarismo e doenças que resultem em períodos prolongados na cama;

• consumo excessivo de sódio (sal de cozinha) também afeta o tecido ósseo, pois aumenta    a eliminação renal de cálcio;

doenças como insuficiência renal, hipertireoidismo, mieloma múltiplo,  entre outras;

ter níveis baixos de estrógeno (hormônio feminino); em mulheres jovens, ciclos menstruais irregulares ou ausentes podem ser indicativos de baixos níveis hormonais; amenorréia pode resultar de anorexia nervosa ou atividade física excessiva, bem como de doenças nos ovários ou glândula pituitária;

• mulheres com distúrbios alimentares também têm um alto risco. Há um grande aumento de mulheres jovens com distúrbios alimentares, incluindo anorexia nervosa. Para elas, a terapia com estrógenos não é suficiente para prevenir a diminuição da densidade óssea. Mesmo depois que o peso das pacientes se estabiliza, freqüentemente se observam  mudanças na densidade óssea;

menopausa precoce (antes dos 45 anos de idade) ou após remoção cirúrgica dos ovários;

• ter níveis baixos de testosterona (hormônio masculino);

atrofia por desuso: osteoporose resultante da imobilização de uma parte prèviamente ativa do esqueleto. Estima-se que a imobilização produz uma perda de 1 a 2% do cálcio total do organismo  num período de 56 semanas;

uso prolongado de medicamentos tais como: corticoesteróides e seus derivados,  heparina, anticoagulantes, anticonvulsivantes, hormônios da tireóide em excesso e medicamentos usados no tratamento do câncer;   

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Diagnóstico   

 

O diagnóstico da doença é baseado na história clínica e pesquisa dos fatores de risco acima mencionados, bem como em minucioso exame físico para identificar possíveis deformidades da coluna vertebral, seguido da solicitação da Densitometria Óssea.  Este é um exame com baixa exposição a radiação que não provoca dor ou desconforto para a sua realização e que possibilita o acompanhamento da evolução da doença, permitindo monitorar o tratamento instituído.  

 

Os exames laboratoriais são solicitados muito mais para descartar outras doenças, que também podem evoluir para osteoporose, do que confirmar a osteoporose. Como rotina, recomenda-se realizar hemograma, provas de atividade inflamatória, eletroforese de proteínas, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina e cálcio na urina de 24 horas. Esses exames possibilitam afastar as causas mais comuns de doenças que podem causar osteoporose como mieloma múltiplo, hiperparatiroidismo, osteomalácia, hipercalciúria, algumas anemias, doenças reumáticas e neoplasias. O cálcio na urina de 24 horas, além de informar sobre outras causas, possibilita avaliar superficialmente o balanço de cálcio do indivíduo.

Os marcadores bioquímicos da remodelação óssea, como osteocalcina, fração óssea da fosfatase alcalina, N-telopeptídeo (NTx) ou C-telopeptídeo (CTx) na amostra isolada de urina permitem apenas avaliar a resposta dos pacientes às terapias anti-reabsortivas, ou seja, prestam-se para a monitoração do tratamento, mas não fornecem o diagnóstico de osteoporose.   

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Prevenção  

A massa óssea obtida durante a infância e adolescência é talvez a mais importante determinante da saúde dos ossos ao longo da vida; alcançar um bom nível de massa óssea mais cedo pode reduzir o impacto da perda de osso durante o processo de envelhecimento.
Essa otimização da massa óssea pode ser conseguida com uma alimentação rica em cálcio  e  com exercícios físicos, pois há uma forte evidência que atividades físicas na infância e adolescência contribuem para aumentar o pico de massa óssea.

A prevenção é algo semelhante a uma poupança, “quem guarda mais osso tem mais para gastar no futuro”.

Ainda como prevenção é importante a regularidade dos ciclos menstruais femininos, haja vista que existe uma importante ação protetora dos ossos feita pelo hormônio estrógeno e a prevenção da reabsorção óssea pós-menopausa.

Os aparelhos de Densitometria Óssea de última geração são muito sensíveis e capazes de detectar perdas mínimas de massa óssea a partir de 2%, mesmo antes da osteoporose se instalar, podendo indicar os primeiros sinais de instalação da doença . Isso significa que uma jovem de 30 anos, no auge de seu vigor, pode tomar providências para evitar a osteoporose futura.  Até meados da década de 80, a doença só podia ser detectada em estado avançado, quando começavam a ocorrer as fraturas. O único método de diagnóstico era então a radiografia, que apenas identificava perdas superiores a 30% de massa óssea. Atualmente a Densitometria Óssea possibilita o diagnóstico precoce da osteoporose e com isso possibilita frear o processo e impedir a evolução da doença mediante a suspensão dos fatores de risco que agravam o quadro clínico.

É necessário portanto que a população feminina se conscientize do seu maior risco em desenvolver a osteoporose, doença de evolução lenta durante anos e traiçoeira por não apresentar sintomas, e que por isso mesmo exige hábitos de vida saudáveis que aumentem a resistência óssea desde a infância.

Quando a paciente já possui fatores de risco, os médicos especializados nesse tema recomendam alguns ajustes no estilo de vida que são indispensáveis para a saúde geral  e manutenção de ossos sadios. Estes ajustes incluem a suspensão do fumo, a limitação da ingesta de bebidas alcoólicas e café bem como a prática regular de alguma atividade física que pode ser simplesmente caminhadas durante a manhã ou no final da tarde.  A exposição aos raios solares por pelo menos 15 minutos em sua rotina diária promove a formação da vitamina D presente na pele, pois essa vitamina é imprescindível à absorção intestinal do cálcio.

A alimentação balanceada e rica em cálcio (800 mg/dia para adulto jóvem) também é muito importante na prevenção da osteoporose e manutenção de ossos sadios.

A quantidade de cálcio elementar de que o idoso necessita por dia é de 1.500 mg, podendo ser obtida de laticínios (leite desnatado, iogurtes e queijos magros), verduras verde-escuras como  brócolos, couve, espinafre e escarola (vide tabela Alimentos x Quantidade de Cálcio), ou por suplementação medicamentosa prescrita pelo médico.

Mesmo as pessoas que já apresentam osteoporose, também precisam adotar os hábitos de vida saudáveis acima mencionados, não somente para que seu tratamento seja mais eficaz, mas sobretudo para prevenir as doenças do aparelho cardiovascular, tais como hipertensão arterial, infarto do miocárdio, acidentes vasculares, entre outras.   

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Tratamento 

O principal objetivo do tratamento da osteoporose é evitar que ocorram as fraturas. Assim quando se tem paciente idoso com osteoporose, o médico não deve se ater somente ao tratamento da massa óssea propriamente dita, mas atentar para os demais componentes que possam intervir no risco  de fratura.  Esse princípio deve ser sempre lembrado, uma vez que muitos idosos podem beneficiar-se mais com a diminuição do risco de queda do que com o acúmulo de medicamentos que possam atuar na remodelação óssea.   A combinação de intervenções seria o ideal, mas isso nem sempre é possível.

Mesmo que você seja sendo portador de osteoporose há uma grande possibilidade de viver confortavelmente, exercendo suas atividades normais, desde que você siga as recomendações médicas e se ajuste ao novo estilo de vida supracitadas.  

Fisioterapia para recuperação dos movimentos

 

Seu médico pode receitar cálcio, vitamina D e outros medicamentos. Entre estes, pode estar incluído o hormônio feminino (estrógeno). Esta forma de tratamento chama-se terapêutica de reposição hormonal (TRH). Uma das decisões mais importantes na vida de uma mulher quando chega à menopausa é se ela deve ou não realizar a terapêutica de reposição hormonal.  A TRH, ou seja, a reposição de estrógeno, pode ser feita na forma de comprimidos, adesivos de pele ou creme vaginal. A curto prazo a reposição hormonal mostrou ser eficaz no alívio dos “calores” repentinos, da secura vaginal e em alguns casos na melhora da parte psicológica. A longo prazo a TRH ajuda a manter o cálcio dos ossos prevenindo a osteoporose. Estudos científicos têm demonstrado que a TRH pode aumentar a densidade do osso e diminuir pela metade o número de fraturas da coluna e da bacia. No caso da Osteoporose Pós-Menopausa, a TRH é a maneira mais importante de se prevenir a perda rápida da massa óssea que ocorre durante esta fase crítica da mulher.

Recentes estudos também mostraram que a reposição hormonal pode proteger a mulher contra doenças do coração. Após a menopausa, a possibilidade de uma mulher ter infarto do miocárdio aumenta bastante e a TRH funciona como um protetor do coração.
Antes de tomar a decisão de iniciar a TRH, a paciente deve conversar atentamente com seu médico. A reposição hormonal também pode ter efeitos indesejáveis que a paciente precisa conhecer. Para algumas mulheres a TRH pode piorar as crises de enxaqueca e aumentar a probabilidade de aparecimento de coágulo nos vasos sanguíneos (trombose).

A possibilidade de aparecimento de nódulos mamários e câncer de mama durante a TRH também deve ser discutida com o médico. De forma geral o estrógeno é prescrito em associação com outro hormônio, a progesterona, para evitar uma estimulação intensa da camada interna do útero chamada de endométrio.

A indicação de TRH deve ser baseada em critérios que levem em conta seus benefícios e possíveis efeitos colaterais, levando-se em conta entre outros fatores a história familiar (existência de câncer em parente próximo).

Uma recomendação importante para todas as mulheres que fazem TRH  é submeter-se a Exames Ginecológicos periódicos incluindo Mamografia de controle e a Densitometria Óssea que possibilita o acompanhamento da evolução da doença, permitindo monitorar  o tratamento instituído. A periodicidade desses exames depende de cada caso em particular, devendo ser avaliada e determinada pelo seu médico.

Outras opções de tratamento da osteoporose incluem alendronato, risedronato, bisfosfonatos, calcitonina e raloxifeno.
Alendronato utilizado tanto para a prevenção como para o tratamento da osteoporose. Estudos têm demonstrado que cerca de 86% dos indivíduos tratados com alendronato apresentaram algum aumento da massa óssea;

Risedronato é um medicamento utilizado tanto na prevenção como para o tratamento da osteoporose. Reduz o número de fraturas na coluna em 60% no primeiro ano de tratamento e aumenta a densidade óssea da coluna e do quadril em 6%;
Bisfosfonatos são medicamentos que inibem o desgaste dos ossos sendo utilizados tanto na prevenção quanto no tratamento da osteoporose. Os bisfosfonatos são indicados quando as pacientes não querem ou não podem fazer a terapêutica de reposição hormonal. Foi demonstrado que os bisfosfonatos podem aumentar a densidade óssea e prevenir fraturas;
Calcitonina é um hormônio produzido na glândula tireóide que ajuda a regular o cálcio e o funcionamento do metabolismo dos ossos. Este hormônio diminui a perda de osso e pode ser usado por meio de injeções ou “spray” nasal tanto no tratamento quanto na prevenção da osteoporose. A calcitonina não é tão potente quanto o estrógeno ou os bisfosfonatos.
Raloxifeno é um medicamento que pertence à classe dos chamados Moduladores Seletivos dos Receptores de Estrógeno. Isto significa que o raloxifeno gera benefícios para o corpo feminino semelhantes ao do estrógeno tanto no osso como no coração, porém sem estimular excessivamente a mama e o útero. Sendo assim, este medicamento é uma alternativa para as mulheres que por algum motivo não querem ou não podem fazer a TRH. O raloxifeno é menos potente que o estrógeno.


Outros medicamentos de prevenção e tratamento da osteoporose têm sido pesquisados e desenvolvidos. Podemos dizer que existem excelentes perspectivas para num futuro próximo esse problema seja melhor resolvido.

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Osteoporose no Homem 

Ao contrário da mulher que tem seu declínio hormonal por volta dos 50 anos de idade, expondo-se precocemente à osteoporose, o homem irá sofrer as consequências numa idade mais avançada, por volta dos 75 anos. Nessa fase da vida o homem praticamente se iguala a mulher nos riscos de fratura. Isso é o que chamamos de osteoporose senil, um processo

que, de certa maneira, acaba por afetar todas as pessoas que atinge idade avançada.

No decorrer da vida a densidade óssea é influenciada pela hereditariedade, alimentação inadequada, hormônios sexuais, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo e excesso de cafeína. Estes são alguns dos fatores que podem contribuir para o surgimento da osteoporose mesmo antes dos 75 anos no sexo masculino.

Homens que tomam por longo período medicação a base de corticoides, anticonvulsivantes, antiácidos contendo alumínio ou que são portadores de câncer da próstata diminuem a densidade óssea e também têm um alto risco de desenvolver osteoporose. Da mesma forma o hipogonadismo é outra condição predisponente mais comum do que se imagina e pode ocorrer em homens de qualquer idade.

Homens que sofrem de anorexia e bulemia, – um problema que em geral acomete mais o sexo feminino, mas do qual os homens também são vítimas, – são candidatos à doença. Nesse caso a diminuição da densidade óssea corre por conta da má alimentação e do exagero de certas dietas para perder peso.

Algumas manifestações clínicas como alterações do humor, depressão, fadiga,  diminuição do libido podem ocorrer por volta da meia-idade em pessoas do sexo masculino. Tais manifestações são atribuidas por alguns especialistas a um declínio hormonal do homem (testosterona), semelhante ao declínio do estrogênio que ocorre na mulher, daí a denominação de andropausa ou menopausa masculina.   Esses sintomas imputados à

menopausa masculina são contestados por alguns especialistas que os atribuem a outros fatores clínicos diferentes do declínio hormonal.

Estudos comprovam que a reposição hormonal realizada por injeções intramusculares, adesivos, gel  e comprimidos via oral, pode trazer riscos a saúde como o desenvolvimento de câncer da próstata, apnéia do sono e aumento do colesterol entre outras. Segundo alguns especialistas, o homem deve resolver a depressão e outros  sintomas naturais da velhice mediante tratamento específico. Mesmo porque muitos homens passam pela meia-idade sem apresentar os problemas de saúde acima mencionados.

Face ao exposto, conclui-se que a reposição hormonal masculina (testosterona), ainda que restrita a casos selecionados, deve obedecer a minuciosos critérios baseados em exames laboratoriais e a um rigoroso controle clínico periódico, devendo ser prescrita somente nos pacientes com baixo nível desse hormônio, sempre levando-se em conta seus benefícios e possíveis efeitos colaterais.

O tratamento da osteoporose implica em identificar as causas específicas e tratar a perda óssea. A prevenção e o uso de medicamentos seguem os mesmos princípios do tratamento preconizado às mulheres.

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Exercícios Físicos 

A atividade física regular fortalece a musculatura e apresenta efeitos benéficos sobre a massa óssea.

Estudos clínicos mostram que o exercício promove o fortalecimento muscular, além de melhorar o equilíbrio, os reflexos e a marcha, reduzindo dessa maneira os riscos de quedas no idoso em aproximadamente 25%.

Mesmo na hipótese de você já ser portador de osteoporose é essencial exercitar-se, mas não esquecendo de consultar previamente o médico, que orientará a melhor opção e freqüência das atividades.

Um programa ideal de atividade física deve ser baseado em  exercícios realizados contra a força da gravidade, tais como caminhar, jogar tênis, vôlei, etc.  Mais recentemente, a musculação, com exercícios contra resistência, alternada com as caminhadas, também tem se revelado útil para a manutenção da massa óssea e melhora do equilíbrio.

É necessário enfatizar que os efeitos benéficos do exercício apenas duram enquanto o programa de atividade física perdurar, daí a importância de se manter esse programa por longo prazo.  Por outro lado é necessário ressaltar também que a atividade física deve fazer parte de um programa mais amplo de prevenção e/ou tratamento, pois o exercícios embora imprescindíveis, sozinhos não evitam ou curam a osteoporose.   

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Sol  

A vitamina D  é formada na pele pela ação dos raios solares ou obtida através dos  alimentos (leite e seus derivados, óleo de fígado de bacalhau, peixes e camarões).

Ela é a responsável pela absorção do cálcio que ocorre no intestino;

Para o nosso clima tropical o mínimo de exposição solar diária é suficiente para  estimular a formação de vitamina D e dessa maneira aumentar a absorção intestinal do cálcio  e favorecer a formação óssea.

Inclua 15 minutos de banho de sol (até às 10:00 da manhã e depois das 17:00) em sua rotina diária.

Uma suplementação com 200 a 400 UI/dia (Unidades Internacionais) de vitamina D está indicada em mulheres na fase pré-menopausa quando a exposição solar for menor que 15 minutos/dia. Mulheres após a menopausa, sem terapia de reposição hormonal, adultos com doenças crônicas e idosos sedentários, devem receber 800 a 1000 UI/dia.

 A suplementação de vitamina D pode aumentar a massa óssea e diminuir o risco de fraturas, contudo ela pode apresentar efeitos colaterais quando tomada em excesso, tais como hipercalcemia e hipercalciúria, por isso a sua prescrição deve ser feita unicamente pelo médico.   

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Dieta   

A ingestão alimentar adequada de cálcio no decorrer da vida deve ter seu início na infância, onde ocorrem a formação dos hábitos alimentares, se prolongando na idade adulta, de modo a garantir um aumento na massa óssea e eficaz prevenção da osteoporose.

O organismo mantém constante uma taxa plasmática de cálcio e quando a fonte externa é inadequada o cálcio é extraído dos ossos para manter os níveis sanguíneos dentro dos valores normais;

O consumo de cálcio aumenta com a atividade física e também é maior na gravidez e lactação;

Inclua em sua alimentação diária o leite desnatado e seus derivados  (iogurtes, coalhadas e queijos magros), pois são as melhores e mais ricas fontes de cálcio, garantindo o aporte diário desse mineral.  As verduras verdes-escuras como  brócolos, couve, agrião, espinafre e escarola também contêm cálcio embora em menor quantidade, igualmente devem fazer parte da dieta;

A situação das jovens brasileiras preocupa médicos e nutricionistas, pois apenas 10% das garotas na fase de adolecência consomem a quantidade ideal de cálcio durante as refeições. Nesta fase etária, a ingestão de cálcio em uma alimentação adequada é ainda mais importante para a boa formação óssea. A quantidade ideal de cálcio a ser consumida diariamente pelos adolescentes é de 1200 mg/dia, o equivalente a dois copos de leite, duas fatias de queijo e um iogurte;

Muitas vezes é difícil obter a quantia necessária de cálcio apenas pela dieta. Nesses casos pode estar indicada a suplementação com medicamentos. Seu médico é a pessoa mais indicada para orientar uma possível suplementação, avaliar sua necessidade e o tipo de medicamento mais indicado para seu caso;

Segundo o “RDA - Recommend Diary Allowed” - as necessidades diárias de cálcio variam de acordo com a faixa etária: no adolescente é cerca de 1200 mg/dia;  no adulto  800 mg/dia; na perimenopausa  1000 mg/dia; na pós-menopausa e homens após os 60 anos de idade  1500 mg/dia; na gravidez aumenta para cerca de 1500 mg/dia e na lactação 1500 a 2000 mg/dia.   

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Tabela  Alimentos x Quantidade de Cálcio:

Leite de vaca pasteurizado 1 copo (200 ml) = 246 mg de Cálcio;

Queijo prato 15 gramas (uma fatia fina) = 126 mg de Cálcio;

Iogurte 1 pote (200 mg) = 240 mg de Cálcio;

Espinafre 100 gramas = 79 mg de Cálcio;

Escarola 100 gramas = 81 mg de Cálcio;

Folhas de abóbora 100 gramas = 477 mg de Cálcio;

Sardinha 30 gramas (uma porção pequena) = 86 mg de Cálcio.

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Suplementação de Cálcio    

A suplementação de cálcio deve ser feita apenas quando houver ingestão insuficiente desse mineral ou nos casos de intolerância ao leite e seus derivados;

A suplementação de cálcio, assim como de vitamina D, é uma maneira econômica de ajudar a reduzir o risco de fraturas;

Homens e mulheres na pré-menopausa devem receber 1000mg/dia e mulheres na pós-menopausa, sem terapia de reposição hormonal 1200 a 1500 mg/dia;

Teoricamente a suplementação isolada do cálcio pode reduzir os riscos de fratura em 10%; a suplementação de cálcio em mulheres entre 35 e 43 anos previne a perda óssea e permite a entrada na menopausa com massa óssea maior;

Os suplementos mais comumente utilizados são de carbonato de cálcio. Estes contém 40% de cálcio elementar e precisam de meio ácido para ser solubilizado, portanto  devem ser ingerido às refeições. A presença do magnésio associado não influencia a absorção, mas melhora a tendência a obstipação;

Suplementos com citrato de cálcio são indicados para indivíduos com acloridria e reduzem os riscos de cálculos renais;

• Alguns medicamentos a base de cálcio orieundos de conchas marinhas ou da casca de ovo, embora ricos nesse elemento, são de digestão difícil e por isso não são recomendados;   

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O que Fazer para Evitar Quedas 

As quedas e suas conseqüências representam um problema crescente em uma população que envelhece. A maioria dos acidentes acontece em casa e o risco aumenta com a idade.

Como vimos prevenir as quedas é de fundamental importância, principalmente para as pessoas que são portadoras de osteoporose.  Estudos clínicos mostram que a atividade física regular fortalece a musculatura, promove efeitos benéficos sobre a massa óssea e reduzem os riscos de quedas em aproximadamente 25% 

As quedas podem ser resultado de:

Problemas de visão;
Deformidades dos pés;
Doenças como labirintite, esclerose múltipla, mal de Parkinson, derrame cerebral,
arritmias cardíacas, etc;
Redução da força muscular dos membros inferiores;
Uso de medicamentos ou drogas que possam afetar o equilíbrio;

A prevenção de quedas é feita por medidas simples que estão ao alcance de todos. Tornar o ambiente à prova de quedas não é tão difícil e é responsabilidade de todas as famílias.

A seguir algumas medidas para tornar o ambiente da casa mais seguro e adaptado ao idoso:

Adequar o uso de óculos de modo a melhorar as condições da visão do idoso;

Promover adequada iluminação dos quartos e corredores, sobretudo no trajeto cama-banheiro do idoso, com interruptores localizados nas entradas dos quartos e em pontos situados ao lado da cabeceira da cama , a fim de facilitar o seu acionamento durante o período noturno. Abajures de cabeceira também são úteis para iluminar o quarto;

Atenção com medicamentos que possam provocar tonturas ou vertigem;

Sentar-se à cama por alguns minutos antes de levantar para não perder o equilíbrio;

Melhorar a coordenação motora e o equilíbrio com exercícios;

Não obstruir as passagens com móveis que dificultem a locomoção;

Escolher móveis com quinas arredondadas;
Remover objetos soltos pelo chão, tais como tapetes soltos, fios de telefone, etc.  que possam fazer o idoso tropeçar e cair. Até mesmo animais domésticos devem ser afastados do quarto do idoso;

Usar calçados com solado antideslizante e evitar andar descalço com meias para evitar escorregos;

Tomar cuidado com pisos lisos, muito polidos, molhados ou encerados;

Usar tapete de borracha no boxe do chuveiro ou na banheira;

Instalar barras de apoio nas paredes do banheiro;

Instalar barras de apoio no boxe do banheiro e uso de cadeira de banho;
Instalar corrimãos nas escadas e aplicar faixas de alerta que evitem derrapagens;

Eliminar degraus (desnível do piso) que separam ambientes em salas ou corredores;
Na cama  utilizar colchões que possibilitem acesso fácil ao paciente;

Procurar apoio de bengala ou andador quando for preciso aumentar a estabilidade da marcha;

Evitar subir em cadeiras e bancos inseguros;

Evitar levantar objetos pesados;

Usar cinto de segurança quando andar de carro;

Ajustar a altura e a inclinação do assento do carro.   

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Você sabia que... 

Osteoporose não é uma doença inevitável na menopausa, ou seja, nem todas as mulheres que estão na menopausa têm osteoporose;

Mulheres jovens também podem ser vítimas da osteoporose;
Oito em cada dez doentes nunca imaginaram que um dia poderiam vir a sofrer de osteoporose;
Apenas 5% das brasileiras incluíram a doença numa lista das preocupações básicas de saúde e que somente 2% realizavam alguma terapia preventiva;
Pesquisa da Internacional Osteoporosis Foundation (IOF) concluiu que o enfraquecimento dos ossos que leva a osteoporose não é detectado em tempo de proteger o público feminino e o maior motivo dessa lastimavel situação é a falta de interação entre médicos, autoridades de saúde e mulheres que estão na fase de risco. Segundo essa Fundação muitos casos poderiam ser evitados se houvessem campanhas de esclarecimento a comunidade e um acompanhamento médico com solicitação periódica da Densitometria.
Os exames radiológicos não podem diagnosticar a osteoporose até que 30% da massa óssea já tenha sido perdido. A Densitometria Óssea é o melhor exame para detectar a osteoporose em sua fase inicial. Esse exame deve ser feito nas mulheres a partir dos 30 anos de idade. O resultado desse exame servirá de referência no acompanhamento (“follow-up”) dos testes que serão feitos posteriormente a cada 5 anos).

A presença de uma fratura numa mulher no período pós-menopausa sugere que sua causa esteja relacionada à osteoporose. Nesses casos a Densitometria pode ajudar a confirmar  o diagnóstico  e determinar o grau evolutivo da doença;

As pacientes que já tiveram uma fratura osteoporótica têm um alto risco de ter novas fraturas, risco esse que pode ser atenuado mediante tratamento adequado;

Pessoas com baixa massa óssea, porém sem outros fatores de risco, têm pouca chance de ter uma fratura osteoporótica. Por outro lado, pessoas com uma perda óssea leve, mas com um grande número de fatores de risco, têm maior probabilidade de fraturar os ossos;
Baixo peso corpóreo, perda recente de peso, história de fraturas anteriores por fragilidade óssea ou casos de fratura osteoporótica na família e ainda o hábito de fumar são considerados altos fatores de risco para a ocorrência de fraturas.
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Atenção  

As informações aqui apresentadas têm o objetivo de enriquecer seu conhecimento sobre condições de saúde e não a de substituir a orientação ou o aconselhamento médico profissional. Você não deve usar estas informações para diagnosticar ou tratar problemas de saúde. São várias as especialidades que lidam com Osteoporose: Endocrinologia, Geriatria, Reumatologia, Ginecologia, Ortopedia e Clínica Médica.

Por favor converse com seu médico para maiores informações.

Dr. José Joel Dantas